Ano 08 – Vol. 12 – n. 57/2020
Antes que alguém, frenética e desvairadamente, propale o contrário, afirmo: sim, precisamos de uma vacina! Sim, precisamos salvar vidas! Mas a que custo?
Ao transformarem a cloroquina em cosmético ideológico e ideologia em ciência os “senhores dos anéis” resolveram que a norma jurídica é a salvação sanitária.
A questão (e não há lados nem bandas, talvez bandos) virou uma crise sanitária que passou a ser equacionada pelo criativismo (já não se trata de ativismo) que estabelece prazos a microscópios, reagentes e soluções químicas como se ciência, política e direito fossem ingredientes e reagentes que possam ser misturados em um único tubo de ensaio, cuja solução será injetada coercitiva, mas não à força, em ratos, gatos e até sapatos, todos cobaias de uma aventura cujo epílogo não se prevê, embora se dimensione.
Não faz muito tempo – e me refiro há pouco mais de um ano – o Supremo Laboratório Jurídico (é inevitável o humor) estabeleceu restrições ao fornecimento público de medicamentos sem registro da Anvisa. Basta buscar nas redes sociais.
Notem. Fornecimento público de medicamentos, seguramente em escala menor, do que se projeta em episódios de epidemia.
É preciso correr contra o tempo? Claro, a pandemia impõe e a integridade da vida exige. Mas, e quem será responsabilizado por uma catástrofe? A Anvisa, por não ter autorizado o registro? Os laboratórios, por terem fornecido a vacina? Os políticos, por terem na beligerância o palanque, o vacinado (por voluntariedade direta ou indireta?) ou a União?
Adivinhem? Quem é a grande é generosa viúva?
A esta altura da vida, após tantos anos de ensino na Academia, tenho me deparado com muitas coisas. Umas exóticas, outras teratológicas, outra de duvidoso “paladar jurídico”. Já vi o direito natural ser condicionado pelo direito objetivo, quando assisti o horário de verão, por decreto, dizer que 12:00 é na verdade 13:00hs. Mas confesso, nunca tinha visto, o obrigatório não ser coercitivo, o valer se o existir e o vírus ser extinto sentencialmente.
Jamais diga em sua vida que não nos banhamos nas mesmas águas dos rios porque, no Brasil, há sempre “senhores dos anéis” que desmentirão a natureza, desafiarão a lógica e te convencerão de que, se Deus não lhes tivesse pedido permissão, o mundo não existiria.
Seja o que Deus quiser (e eles permitirem) nesta pandemia jurídica, em que a imunização judicial faz de todos reféns ou sentenciados à morte.
Continuo a afirmar. É preciso preservar a vida. É indispensável uma vacina para todos. A questão é, a que custo?