INSANIDADE AVERMELHADA

Ano 13 – vol. 04 – n. 34/2025

https://doi.org/10.5281/zenodo.15303435

Não sou especialista em futebol, muito embora torça para a maior força do futebol brasileiro:  Clube de Regatas Flamengo. Ok, discorde, mas confesse: você já foi vítima dessa gente bronzeada que mostra o seu valor – brincam com a bola.

E por que o valor hoje é pesado em barras de mediocridade e corrupção é bem apropriado falar sobre a nova especulação (alguns afirmam ser certo e definido) que é a camisa número 2 da seleção brasileira, uma espécie de time de várzea que aparece vez por outra composta por jogadores que na maioria aqui não jogam.

Eu sei que a seleção é apenas um time de futebol que traz as cores do país. A nossa, no caso, já foi uma instituição que juntava famílias com a tradução de unidade e fidelidade à bandeira e ao hino nacionais. Foram épocas em que abundavam talentos e, aparentemente, não se misturava futebol e judiciário como hoje, em que em tudo ele se mete e, quase sempre, para descompensar a balança.

O mundo girou e aí apareceram umas pessoas que passaram a se vestir com a camisa da seleção brasileira indo às ruas como uma espécie de legião religiosa liderada por um político identificado como do baixo clero e deu no que deu.

Mas como a balança sempre pesa com a “mão do carcamano” por aqui, eis que passaram a se apropriar da camisa verde e amarelo e então os próprios insatisfeitos passaram a identificar aquela legião como “apropriadora indébita” da camisa da seleção. Uns optaram pelo uso da camisa azul, como no manto de Nossa Senhora; outros fizeram opção pelo branco, como se evitar o verde e amarelo os diferenciasse dos demais.

Se o assunto fosse a camisa do Flamengo não haveria problemas. Nós a chamamos de manto sagrado e tudo bem. Mas uma coisa é falar do Flamengo, outra, que a ele hoje não se compara, é a seleção brasileira.

Ontem, como nada neste país é o próprio fundo do poço, circulou pela internet uma versão de camisa da seleção em vermelho, como se pretendesse “dar o troco” ao uso do verde e amarelo, sem qualquer obediência às próprias regras que circundam essa instituição que já foi alvo de investigação e que parece ser um braço da corrupção no Brasil: a CBF. Basta ver a última eleição da entidade.

Ontem assisti algumas entrevistas e li opiniões sobre essa nova insanidade que, pelo visto, a se confirmar, será um tiro no pé. Vestir a seleção brasileira com uma camisa vermelha apenas aprofunda ainda mais a fragmentação que existe no Brasil de hoje. Querem apostar como venderão bem mais camisas amarelas?

Ressalvada a liberdade de ser idiota, e neste país abundam os que abusam desse direito, a tentativa de agradar uma quadrilha (bem mais do que bando) talvez traduza a confissão do nível de corrupção que se vive hoje. O vermelho é bem apropriado aos níveis de governo e seleção que possuímos atualmente, o que sinaliza já um novo 7 x1.

Não sei se Mr. Jordan sabe bem. Talvez o que imagine ser popular deixe uma certa mácula na sua marca, mas o certo é que a camisa vermelha além de não identificar o Brasil por suas cores nacionais, não é compatível nem mesmo com a identidade visual prevista nos estatutos da CBF quanto à definição de seus símbolos.

Não duvido que, a se confirmar essa estultice da CBF em ano de copa do mundo coincidindo com ano eleitoral, haja a ilusão de que muitos camisas vermelhas substituirão as camisas verde e amarelo, assim como na Europa existiu durante um certo tempo gente usando camisas pardas e camisas pretas. Preparem-se, forças armadas. A insanidade não tem limites. 

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