Ano 14 – vol. 07 – n. 87/2026
https://doi.org/10.5281/zenodo.21560525
Reunir e ajustar.
Ou seria ajustar e reunir?
Imaginar e percorrer a pauta com grafite, esfera ou pena.
Não importa.
Datilografar
Digitar.
Ditar; enfim, escrever.
De relatos dos retalhos.
Dos insultos ao perdão.
Da alegria à dor.
Não importa.
Sempre o papel sem alma encontra significado a receber, passivamente, o talento do escritor.
Há que se ponderar, contudo, que os tempos que tais melhor seria ficar no ponto paragrafo.
Há os insensatos que imaginam que o infinitivo do verbo foi feito para rimar, sem perceber a pobreza do verso.
Mas há os que primam pela elegância singela, sem a petulância arrogante.
De tudo há.
Há até o analfabeto que insiste em emoldurar em vocabulário chulo a tibieza torpe da negligência.
Bem sei que os tempos não são os melhores mas, ainda assim, pior seria se não existisse o alfabeto para moldar em letras o que é visível e invisível, traduzindo-se pela inventividade capaz.
Pobre ou rica, mas não vulgar, que seja o dia não mera lembrança mas a certeza de que sem escrever a vida se apaga como a vela, como se faltasse luz à humanidade.
Ainda que uns insistam em desafiar a lógica, a ciência e o bom senso, mesmo assim, é porque existem escritores que os que leem podem discernir o que de fruto há e separar o que seja trigo do que seja joio.
Feliz dia do escritor.