Ano 06 – vol. 03 – n. 04/2018
Para os que não me conhecem digo logo: sim. Sou advogado. Atualmente militando como advogado público.
Depois que fui Procurador Geral do Estado impus-me um bom tempo sem advocacia privada. É uma determinação pessoal.
E por que sou advogado sinto-me bem à vontade de falar sobre a OAB. Fui conselheiro federal, conselheiro seccional por varias vezes, presidente da ESA que leva o nome de meu pai – Advogado José Vera-Cruz Santana – e exerci inúmeras funções como representante da OAB.
Lembro que fui um dos que apresentaram sugestões a atual Lei da Advocacia. Sendo assim, participei ativamente de alguns debates e sempre procurei me posicionar, gostassem ou não os colegas, pela percepção que trago da profissão de entender que corporativismo não se confunde com conivência, omissão e impunidade. Sendo assim, posso falar de OAB.
Liderei um movimento chamado OAB Democrática, através do qual oferecemos uma plataforma de ações, algumas delas postas em prática.
Com incontido assombro eu vejo o Conselho Federal da OAB calado em momento tão sério do país. De quando em vez assisti o presidente dessa instituição emitindo opiniões sobre operações policiais e, em algumas oportunidades, até em defesas que julguei fossem estranhas ao perfil histórico da OAB.
Mas do mesmo modo vejo as Seccionais (pelo menos até donde tive notícias) caladas, silentes, como se desejassem não desagradar o Conselho Federal. Uma lástima.
Este ano aparecerão Dom Quixotes com discursos de moralização e defesa das prerrogativas de advogados, como, aliás, sempre acontece. Mas não passa daí.
Este país tem se notabilizado por mutirões judiciais (uma confissão de ineficiência), caravanas de advogados para defender prerrogativas e estatísticas de órgãos que ao se expressarem em números e gráficos estatísticos, imaginam ter feito suas obrigações.
O STF tem sido desmerecedor da Constituição que deveria guardar. Isto deve ser dito, mas a OAB se calou. Nenhuma palavra. Nenhuma nota. Nenhuma declaração diante desses comportamentos beligerantes dos ministros Barroso e Mendes. Nenhuma palavra quanto à suspensão de um julgamento para atender conveniências pessoais de alguns outros ministros, como Marco Aurélio e Lewandovsky. Nada. Nenhuma inquietação.
Como disse, sou advogado e continuarei sendo, mas não posso (e nem quero) coonestar com um silêncio estridente desses, como se nada tivesse acontecendo.
Quem não tem coragem para se insurgir contra fatos dessa natureza, mesmo que faça seu protesto solitário, não se venda como defensor das liberdades, arauto da moralidade, lutador pelas causas da advocacia, e depois exiba em seu veículo um pomposo adesivo dizendo: Sem advogado não há justiça.
Para haver justiça é preciso cobrança, empenho, colaboração, determinação e, sobretudo, coragem.
Não é ficando calado diante desses episódios tão graves que o Conselho Federal da OAB, ou quaisquer dos Conselhos Seccionais e Sub-Seccionais, estarão defendendo a Constituição.
Proponho um conscientização constitucionalista imediata, através da difusão de que é a Constituição o pilar de todas as ordens, não os Poderes do Estado que sequer conseguem compreender a finalidade da tripartição, cada um se modelado como se soberano fosse.
O leitor pode perguntar como iniciar isto. Pois bem, comece com o protesto que você for capaz de fazer, só não fique parado porque esses homens que aí estão, hoje, subjugando a Constituição a interesses pessoais, com a chancela do silêncio da OAB (por que não?!) são os mesmos que terão condições que deixar este país sem sofrimento ou dor.