Ano 06 – vol. 04 – n. 06/2018
Usado como símbolo de resistência em tantos episódios históricos, o braço erguido e o punho cerrado passaram a expressar ódio no Brasil, do séquito de quem foi uma esperança e transformou-se em algoz de si mesmo.
Calma! Sobretudo, calma! Quem fala em NÓS e ELES, Casa Grande e Senzala, quis ser (e é, na verdade) Senhor de um séquito de celerados que agride a imprensa, vilipendia a propriedade privada, agride fisicamente as pessoas que porventura não repitam o mantra: “Lula, guerreiro do povo brasileiro”.
Mais calma ainda! Não há nada a ser comemorado! Há a ser lamentado! Sim, há um país envergonhado.
Lula foi a escolha de muitos que acreditaram em que a esperança venceria o medo.
Foi, também, o retirante que venceu na vida, o operário que teve a carteira de trabalho assinado aos 18 anos, como torneiro mecânico, e o ambicioso sindicalista que chegou à presidência da república.
Mas Lula, também, foi uma invenção do regime militar a quem disse combater, e isso não pode ser negado e esquecido, porque não se pode apagar as letras da história.
O homem que disse que o seu partido faria uma política ética, que afirmou que não tinha o direito de errar, errou. E errou feito. Errou por omissão, errou por comissão e, com gravidade ainda maior para um homen, errou quando mentiu. E mentiu muito!
A biografia jogada no lixo. Foi isto o que conseguiu o líder que ficou igual àqueles que, como moscas, rodeiam o cadáver do país que agoniza com um povo dividido, com o ódio à flor da pele, estimulado que foi por um partido que também parece, com seus organismos satélites, uma organização criminosa.
Nunca, antes, na história deste país (parafraseando o próprio ex-presidente) viu-se um presidente condenado e com pendência, ainda, de seis processos judiciais, todos eles, envolvendo, de modo geral, o locupletamento pessoal.
Não há nada a comemorar. É um dia triste para o Brasil e para o mundo, porque um líder inventado pelos militares não passa de um político igual a tantos outros que estão no cenário brasileiro, transitando impunes com a cumplicidade de autoridades criminosas também.
O “herói do povo brasileiro” hoje se torna o prisioneiro de seu próprio punho cerrado, sem algemas, mas pateticamente levado ao cárcere como um condenado por crime comum, sem mais direito às exéquias da presidência.
Ao invés de cerrar punhos, juntem as mãos, rezem para que haja tempo de que o prisioneiro número um do PT possa se arrepender, inclusive, de ter transferido a quem não podia se defender, a responsabilidade que sempre foi sua.
