Ano 08 – Vol. 03 – n. 13/2020
Aprendi com um dos maiores jusfilósofos que o mundo conheceu (desculpem, mas não dá pra ter falsa modéstia aqui) a diferença substancial entre definição e conceito.
O jusfilósofo? Lourival Vilanova, meu professor de TGC e TGD no Mestrado em Pernambuco. Faz tempo. Tanto que pertenço ao grupo de risco nessa pandemia.
O Mestre chegou para ministrar uma de suas aulas e, ao observar um pássaro nos janelões enormes da sala de aula da Faculdade de Direito do Recife, nos indagou sobre o significado daquele quadro. Daí em diante falou sobre Direito, Estado, liberdade, demonstrando bem a distinção.
Óbvio que passei a usar essa lição na minha vida acadêmica. Como também é óbvio que não vá utilizá-la em minúcias neste espaço, repleto de especialistas. Entretanto, posso sintetizar dizendo que definição estreita a liberdade cognitiva, porque ela é sintética, alegoricamente representada por uma moldura. Já o conceito remete a uma dimensão com referências e inferências elásticas, mais amplas.
Noto que há pessoas cuja profundidade intelectual reside no limite da moldura. O que fica atrás da gravura e cuja importância é dar consistência ao papel.
São trocas de insultos, falta de urbanidade, grosserias, rotulações e estigmatizações que muitas vezes não possuem nem estrutura lógica (para lembrar uma das obras do Mestre) sem que possa haver conclusão do sujeito cognoscente.
Já me deparei com sentimentos explosivos com requinte de crueldade, mas encontro do autor banalidades torpes carregadas de preconceitos contidos e mal resolvidos, quem sabe!
Dialética não é privilégio de sábios, ao contrário, é ferramenta de gente inteligente. Por isso mesmo importa formar conhecimento com a admissão de ser possível uma percepção diferenciada. Isto, aliás, me remete a um outro Metre fenomenal, Pinto Ferreira, que me ensinou o melhor conceito (ou seria definição?) de democracia: “Maranhão – ele me chamava assim – meu filho, “democracia é eu admitir que meu oponente pode ter razão”. Acho precisa a afirmação. Às pessoas cheias de razão e especialista (em generalidades, algumas) não custa lembrar que o conceito possui natureza dinâmica, que se molda e remolda e se ajusta ao tempo, enquanto definição é estática, limitada pela moldura. E é nessa perspectiva que as relações humanas devem ser desenvolvidas. Mas há quem prefira atirar pedra em avião.