ELEGIA À MULHER SEM NOME

Ano 14 – vol. 03 – n. 25/2026

https://doi.org/10.5281/zenodo.18911219

Não.
Recuso-me a reduzir-te a um único dia.

Como caberia em vinte e quatro horas
a grandeza de quem sustenta o mundo
com mãos tão delicadas
e coração tão vasto?

Não te basta uma data no calendário.
Tu és mais do que isso.
És presença contínua,
luz que atravessa os dias comuns
e os transforma em esperança.

Há quem ainda não saiba disso.
Há quem duvide.
Mas eu sei.

Por isso não aceito que te concedam apenas um dia
como quem entrega uma flor
para logo depois esquecê-la.

Bastar é palavra pequena,
e tu não cabes no finito.

Se preciso for,
eu digo em voz alta —
quase como quem reza:

meu amor por ti não conhece limites.
Ele não termina na noite
nem se perde na passagem do tempo.

Mulher sem nome,
que poderia ter todos os nomes,
mãe, filha, amante, amiga, companheira,
mistério e abrigo.

Em ti há um caleidoscópio de cores e afetos,
um universo inteiro que pulsa
entre força e ternura.

Às vezes és tempestade,
às vezes silêncio,
mas sempre verdade.

E então façamos um acordo simples,
desses que não precisam de testemunhas:

hoje —
e em todos os dias que ainda virão —

eu em ti,
tu em mim.

Sempre.

Até o fim.

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