Ano 02 -vol. 04 – n. 05/2014
A LÁGRIMA, O SORRISO E A GROSSERIA
Ponho-me a escrever sobre um tema que trouxe à baila tudo de uma vez só.
Abomino a grosseria, a falta de educação, enfim, a falta de civilidade. Por isso resolvi me ocupar, brevemente, do assunto, após a conquista de mais um campeonato pelo C. R. Flamengo.
Como estou longe de casa, e porque não tinha notícias, postei uma indagação sobre o resultado do campeonato. Logo recebi como resposta que teria havido roubo, que era time de ladrões etc. Isto me incomodou. Não a reclamação, tão natural no futebol, mas a forma como foi generalizado o torcedor do Flamengo, dentre os quais eu me incluo com o maior orgulho. Poderia dar muitos motivos. Cito Zico. Basta?
Pois bem, torcer é um direito de cada um. Ser apaixonado, também. Agora, misturar paixão, lágrima e grosseria em redes sociais chega a ser um excesso.
Eu mesmo brinco, faço a gozação sutil, e só mergulho na coisa mais incisiva (mas, jamais preconceituosa) quando sou incluído num saco de gato, como se ser torcedor de um time o transforme num desqualificado.
Tenho muitos amigos, mas tenho, também, “amigos” de Facebook, aqueles que vamos acumulando ao longo do uso da internet, muitas vezes porque são amigos de amigos. E foi aí que a falta de equilíbrio de um (a) certo (a) “amigo (a)” de rede social animou-lhe a formar juízo de mim sem sequer me conhecer, profissional ou pessoalmente. Não tive dúvidas. Respondi, mas refleti e logo excluí a pessoa do meu rol de “amigos”.
Notem. Tenho amigos torcedores de todos os clubes, mas nem por isso os hostilizo. Brinco, e sempre brincarei, com a precisa noção de que integridade pessoal é algo que deve ser preservado. Como disse hoje, sou antivascaíno, antitricolor, antibotafoguese e anti-qualquer-time que jogue contra o Flamengo. Mas não cultuo o ódio, até porque muitos desses times nem dependeram do Flamengo para cair para a segunda divisão. Caminharam com as próprias pernas.
Pois bem. A partir de hoje, adoto a seguinte medida aqui no rol de amigos. Se você não tiver a capacidade de compreender uma gozação, uma brincadeira, uma ironia, passe bem. Eu não preciso de pessoas ao meu lado que só queiram ouvir o que gostam. Afinal, não fui ao mural de ninguém postar provocações. Eu as posto em meu mural e no meu mural há espaço para tudo, menos para grosseria, falta de educação, preconceito e racismo.
Quanto ao tão falado lance do jogo o que consegui captar foi que 1) o lateral esquerdo do Vasco fez linha de impedimento; 2) nenhum jogador do Vasco reclamou; 3) o bandeirinha e o juiz erraram dentro de um contexto em que tantos outros já erraram; 4) declarações se jogadores não justificam nenhum erro, nem do Flamengo, nem dão razão ao Vasco.
A mim, em todos os atos da vida, a ética deve presidir as ações. Não posso culpar com a pecha de “ladrão” um árbitro de futebol, porque ninguém merece. Mas posso, sim, dizer, que houve erro, embora o Flamengo, nas últimas décadas, tenha sem nenhum erro de arbitragem, mantido o Vasco no seu lugar de vice, o que só não ocorreu quando não disputamos a final.
Registro, por último, que como torcedor somos chamados de mulambos, de framenguistas, acusados de que o as famílias não sairão de casa se o Flamengo for campeão etc. Nem por isso desqualifico nenhum torcedor, mas uso, sempre que me sinto agredido, as expressões “vascuzinho”, “florminense”, “bostafogo” etc. E as usarei, sempre que o direito de crítica, na minha página do Facebook, exceder o razoável, a minha integridade pessoal.
Portanto, como dizia minha avó, “quem não pode com o pote não segura a rodilha”. Se não sabe brincar não desce para o play, como diz a juventude.
No mais, sorria, pois nada de novo aconteceu. O Flamengo é campeão mais um ano. Chore, pois o Vasco é vice de novo, mas nunca, nunca mesmo seja grosseiro, pois estigmatizar esse clube com insinuações que envolvam erro de português, cor da pele e estado das pessoas deixa de ser direito de crítica e beira o preceito e o racismo.
Como disse. Estou longe de casa, mas ainda irei a Lisboa visitar o túmulo de Vasco da Gama. Sem duplo sentido!
Viva a Nação Rubro-Negra.