Ano 08 – Vol. 02 – n. 05/2020
Quando uma grande indústria se instala em polos de desenvolvimento seus empregados normalmente usam ônibus que são contratados no setor privado.
Quando os militares se deslocam normalmente usam os ônibus que transportam os homens e mulheres da força.
É assim em todo o mundo. Ou melhor, em quase todo mundo. Menos no Brasil.
No Brasil os chefes dos Poderes Legislativo e Judiciário estão na berlinda pelo uso de aeronaves que poderiam estar prestando serviço a outras causas.
Penso que o domicílio funcional do deputado e do senador é Brasília. Se não se encontra em missão oficial, se não está em recesso do Congresso Nacional é lá que eles devem permanecer.
Eu sei que alegarão que eles precisam visitar as bases eleitorais. Pois bem, que o façam com o fundo partidário. Há interesse dos partidos políticos que eles sejam reeleitos, nada mais adequado do que o fundo financiar as passagens para os deslocamentos.
Mas os presidentes da Câmara, do Senado e do STF quando estiverem em missão oficial? Bom, desde que essa missão oficial não seja participar de programa político em canal de televisão, como tem sido feito às escâncaras, lhes será permitido.
O Brasil precisa passar a limpo isto. Nós estamos financiando uma casta que não quer ser criticada, mas quer que o povo permaneça suportando essas posturas que violam claramente o princípio da moralidade que tem previsão constitucional.
É muito grave o uso de aeronaves ao custo que está sendo divulgado na internet. Não é possível continuar assim.
O transporte oficial não pode servir indiscriminadamente sem uma definição clara e limitada do seu uso. No mais, ou a autoridade usa o transporte que o contribuinte usa, ou permanece em Brasília, cumprindo sua função.
Os Poderes Legislativo e Judiciário do Brasil devem ser dos mais caros do mundo. Por isso mesmo é preciso que haja um choque de gestão para acabar com essa farra, para não chamar de esbórnia.