Ano 09 – vol. 04 – n. 31/2021
Não sei se é possível determinar a “nacionalidade” da coisa. Bom, talvez no Brasil, porque aqui nossa pátria amada pariu uns filhos da…pátria, que nem de vira-latas têm o complexo. Eu respeito os animais.
Certo, porém, é que a sabedoria popular contida nos sábios conselhos de avós, quando o assunto é amizade, parece ter sido moldada para os tempos atuais: Faz que nem água e azeite – te une, mas não te mistura.
Pois não é que essa coisa tem a capacidade de discernimento? Ela só aparece durante o dia em praias desertas, em comércios, em igrejas, em estádios de futebol, nas escolas… Não, não entra em farmácias e supermercados, mas identifica o vendedor de verduras num instante. Logo a coisa se complica e proliferam os cumpridores de ordens ilegais. Puro abuso de autoridade. Ah!, também não entra em transportes coletivos, sabe como é. A coisa prefere exatamente escolher quando e onde vai por ela mesma.
Acharam que eu falava de quem? Não, não se trata de nenhuma máquina que mesmo na linguagem binária tenha na velocidade sua primazia. Falo da pandemia política do Brasil em que seletivamente se elegem heróis e bandidos, enquanto sua gente (conquanto só por linguagem alguns assim devessem ser considerados) se digladia com vestes de médicos e loucos, porque disso todos são um pouco.
Aqui, eficácia farmacológica virou apêndice de liminares e sentenças, a ciência se constrói com apenas uma hipótese científica, a que convier à mídia de aluguel.
Enquanto esse drama se desenrola a sanidade doentia (a contradição é proposital – antes que a patrulha apedreje) parece só não estar atingindo uma dimensão: a inteligência artificial do vírus, que escolhe hora e lugar para atacar.
Só pode ser isso. A inteligência artificial do vírus inoculou o bom senso. Mas só dos que um dia tiveram.