Ano 13 – vol. 05 – n. 35/2025
https://doi.org/10.5281/zenodo.15333419
Quando me reclamam da criminalidade no Brasil sou dos que tem a resposta na ponta da língua. Não que me autoproclame o “especialista da criminalidade”, mas sim aquele que tem a sinceridade de dizer: quem admitiu subverter uma situação jurídica constituída, com imperfeições embora, o fez com a consciência de que optou por abrigar a criminalidade. Portanto, para mim, quem deu guarida a Mateus que o embale na mesma rede, porque tem responsabilidade paternal.
Há décadas neste país se banalizou a criminalidade quando a polícia foi impedida de subir o morro. Mas a organização nos moldes de hoje existe em função de pessoas que, ao não serem separadas nos cárceres prepararam uma plêiade de criminosos, dando-lhes informações orgânicas de bandos, quadrilhas e organizações terroristas.
Pela incompetência de quem governava não só as penitenciárias, mas também a universidade, passaram a ser celeiros de aperfeiçoamento com a fase revolucionária gramciana, a mesma que conseguiu perceber as contradições de Marx sobre a liderança revolucionária.
Aquela gente que ajudou nesse processo de aperfeiçoamento está aí, confessadamente tendo tomado o poder, anistiados todos, mas se opondo a um processo de anistia que deixou de ser apenas um discurso oportunista e passou a ser uma necessidade institucional para que o Brasil consiga sair dessa berlinda que é desmoralizar todas as instituições jurídicas, a despeito de autores que em papel puseram lições sem repetição na vida prática.
Por isso, cidadão, tenho reiteradamente dito aos meus alunos que tenham todo o critério do mundo ao escolherem as obras com as quais produzirão seus textos. Ciência requer coerência, por isso mesmo a companhia deve ser uma escolha criteriosa, pois ela traduz o caráter do autor, na medida em que entre o charlatão e o escritor deformado pela ideologia, às vezes, podem diversificar a linguagem, mas o caráter é o mesmo.
A volta à cena do crime não pode ser creditada apenas àqueles que operacionalizam o mecanismo de transferências de malas, a subtração de proventos e aposentadorias. A terceirização da delinquência, já sabemos, pode até ser sanada pela correção de um código postal, mas ela não absolve quem gestou instabilidade e insegurança jurídicas.
O Brasil de hoje retrocedeu pelo menos sessenta anos na história. Perdeu seu espaço no universo de nações que poderiam influenciar nas decisões políticas, optou por se tornar, de uma vez por todas, uma colônia de exploração, onde os degredados e senhores estão bem definidos pela cumplicidade orgânica.
Mais um roubo foi incluído na história do Brasil: o assalto aos velhinhos aposentados, sem que se possa aceitar que tudo esteja bem ao demitir, reticentemente, um ministro, apenas pela força política que representa na base de sustentação.
O governo, que um dia foi descoberto com o que, à época, foi a maior história de corrupção da humanidade, hoje está mergulhado em um pantanal de lama fétida, indiferente à fragilidade de pessoas que trabalharam por esse país e que julgaram um dia que pudessem ter um descanso merecido. E ao que parece, é apenas o início de muito roubo.
Voltaram à cena do crime com a singularidade de quem não pode nem separar o amigo do amigo, porque o sanguíneo tem no DNA a marca de deformidade patológica instintiva. Com esse tipo de gente pode ser formada até uma quadrilha, mas não uma família.
Mas não culpem, terceirizando, os responsáveis. Cada um daqueles que contribuiu para o retorno à cena do crime tem sua dose de responsabilidade, já não podendo sequer dar exemplos, falta-lhes, sobretudo, crédito para dar conselhos.
Desejo que meus netos consigam ver um país em que a volta à cena do crime sirva para encarcerar delinquentes e seus cúmplices, como deve ser em uma terra civilizada.
Espero que você não tente ser mais um daqueles que me dizem: ah, isso sempre foi assim! Você estará sujeito a ouvir: tu és igual a eles.