HOMENAGEM PÓSTUMA A MÁRIO MACIEIRA: UMA PARTIDA, MUITOS APRENDIZADOS E ENSINAMENTOS

Ano 13 – vol. 08 – n. 58/2025

https://doi.org/10.5281/zenodo.16666629

Ontem nos despedimos de Mário Macieira. Uma ausência prematura, daquelas que nos silenciam por dentro. Levada pela enfermidade que há algum tempo o fragilizava, sua partida deixa um vazio que se estende muito além dos laços familiares — ecoa entre amigos, colegas de profissão e tantos outros que com ele conviveram, aprenderam ou apenas cruzaram caminhos.

Conheci Mário ainda jovem, quando era estudante da Universidade Federal do Maranhão. Tive a honra de ser seu orientador de monografia na conclusão do curso de graduação em Direito. Desde então, sua trajetória se revelou firme, ética e profundamente comprometida com o que fazia.

A vida nos reencontraria na advocacia. Estivemos juntos em batalhas institucionais e, não raro, em posições adversárias dentro da Ordem dos Advogados do Brasil. Mário, com sua postura serena e elegante, nunca deixou de mencionar, com afeto e deferência, o fato de ter sido meu aluno. Essa reverência se transformava em confiança, como se cada segredo profissional que me confiava reafirmasse nosso laço de respeito mútuo. E por dever ético, permanecerão comigo.

Mais adiante, voltamos a compartilhar um mesmo espaço: o Departamento de Direito da UFMA. Lá, ele lecionava sua paixão — o Direito do Trabalho — com dedicação e zelo, sempre disposto ao debate, mesmo que em posições teóricas ou políticas distintas das minhas. Mas esse contraste nunca virou confronto. Pelo contrário: fortaleceu o apreço pessoal que nos unia. Dividimos mesas, boas conversas e algumas cervejas — e mesmo nesses momentos mais descontraídos, encontrávamos sempre pontos de afinidade.

Ontem, ao apagar mensagens do celular, deparei-me com uma que enviei a ele em 18 de setembro de 2024:

“Mário, receba meus melhores votos de parabéns pelo aniversário e o desejo de breve recuperação. Um abraço.”

A mensagem não teve resposta. Só mais tarde soube de sua internação em São Paulo.

Tivemos muitos encontros e atividades comuns, sobretudo na OAB, onde partilhamos uma luta constante: a valorização da advocacia. Acredito que esse compromisso mútuo nos moldou. Na vida do advogado, há sempre incêndios a apagar, tensões a administrar, batalhas a enfrentar. Mas também há — ou deve haver — espaço para a grandeza que reside na escuta, no diálogo, na compreensão. Porque, ao fim, somos apenas instrumentos a serviço da paz social.

Em tempos em que o tecido democrático e o respeito aos ritos constitucionais são tão desafiados, a lembrança de Mário reacende em mim a necessidade de continuar acreditando na defesa como ofício — mas também como expressão de humanismo. Seu exemplo é um lembrete de que é possível, sim, ser firme sem ser agressivo; ser adversário sem ser inimigo; ser ético sem ser frio.

Siga em paz, Mário. Sua caminhada deixa marcas profundas e saudades sinceras. Que sua memória continue nos inspirando a sermos melhores — como profissionais e como seres humanos.

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