QUEM NÃO PODE DAR EXEMPLO NÃO DEVE DAR CONSELHOS

Ano 01 – vol. 08 – n. 05/2013

Ontem foi veiculado pelos meios de imprensa a detenção de um brasileiro em Londres, durante 8 horas e 55 minutos, com base em uma lei que cuida de suspeitos de contribuição ao terrorismo.

Ocorresse o fato no Brasil e os vestais da democracia europeia empunhariam bandeiras contra o ato de exceção ou coisa parecida.

Não me ponho a discutir o mérito do assunto, mesmo por que envolve nuances de Direito Internacional de discutível sanidade. Mas o que me faz debruçar sobre o tema é a “síndrome do terror”, gerada com a divulgação de documentos que comprovam a participação dos países democráticos em ações autoritárias, reacionárias e, algumas vezes, criminosas.

A Europa, como o resto do mundo, comemora sempre o holocausto, com a cultura “vitimológica” de quem sofreu nas mãos de Hitler, algoz-mor da humanidade, mas, ao mesmo tempo, vira o rosto para os fatos quotidianos.

Não faz muito tempo e um brasileiro foi executado em Londres, sob a infundada alegação de que ele parecia com um terrorista, em demonstração inconteste de que a raça, elemento fundamental para a Declaração Universal dos Direitos Humanos, é mais um elemento de discriminação velada.

Em Israel vi um muro que é uma vergonha, mas o Tio Sam (Sempre juntos, lembram?!) ameniza as atrocidades com o deboche de que o direito de defender-se é a fonte daquela imoralidade.

Desejo, sinceramente, que muitos mais documentos sejam revelados, pois a opressão midiática e governamental faz do globo um campo de concentração, em que a sedução do “ter” impede que as pessoas se lembrem de “ser”. Nada mais fazem, senão o que Hitler fez: subestimam pessoas, desqualificam raças, ignoram tratados e pactos internacionais, sob a alegação de combate ao terrorismo internacional.

Até quando a comunidade internacional vai suportar (com o sinônimo de dar suporte) a posturas como essas em que a área de trânsito internacional deixa de merecer as garantias que o Direito prevê, e, às quais, a própria Inglaterra é signatária?

Por favor, não me façam supor que o monarquismo constitucional britânico não passa de uma ficção, porque senão passo a pensar que Cromwell tinha razão, afinal, quem não pode dar exemplo, não deve dar conselhos.

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