AS INDENIZAÇÕES ÀS FAMÍLIAS DOS CONDENADOS – E QUEM FINANCIA O CONTRIBUINTE?

Ano 03 – vol. 07 – n. 02/2015

O cenário carcerário no Brasil é dos piores. Põe-se em pé de igualdade às masmorras do Século XVII. Nem parece que há uma Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Mas quando se fala em construir presídios, ao político soa inoportuno – não rende votos.

Pois bem, exatamente porque não se investiu em escolas é que se deve investir em presídios, sobretudo quando se vê a sinalização da sociedade, entre aflita e impotente, discutir sobre a redução da maioridade penal. Não sei se resolveria, mas sei que o jovem da época de concepção do Código Penal não é o mesmo de hoje. Cronologicamente pode ter a mesma idade, mas culturalmente não.

A velocidade da sociedade informatizada sequer deixa o conhecimento envelhecer. O que amanhece no mundo já não é o que entardece e o que anoitece. Tudo é um turbilhão. Os jovens parecem não se surpreender com mais nada. Há um “ficar” desenfreado entre meninos e meninas, como se fosse parecido a provar um picolé. Não gostou, descarta, quando não, é a resposta atrevida da piada: Tá conversando muito! Vai me comer ou me inscrever no programa Bolsa Família? É assim o mundo hoje.

Hoje, ao sentar em frente ao computador na Procuradoria Geral do Estado para, mais uma vez, produzir uma defesa, vei-me à mente a concepção de uma ideia que a partir de agora porei em prática. E farei em nome do contribuinte.

Os casos reiteirados de indenização por danos morais e materiais pagos pelo Estado (entenda-se contribuinte) têm como motivo a morte de reclusos na Penitenciária de Pedrinhas. Há muitas ações assim.

Incomoda ver a degradação humana dos presídios? A mim, sim, porque defendo os Direitos Humanos, o Direitos do Ser Humano, desqualificado de sua pecha de criminoso ou não.

Mas é preciso alertar. Direitos Humanos não são sinônimo de impunidade. O preso sabe bem disso quando escolheu a prática do crime, ressalvadas as exceções raríssimas.

Assim, como ele tem direitos a serem preservados, também têm as famílias do cidadão que cumpre seus deveres e obrigações e que pauta a sua viada na obediência às leis, mesmo àquelas que pareçam mais injustas ou absurdas.

Pare um pouco e pense. O condenado trucidou sua família, é mantido num sistema carcerário pago por você que pode, ainda, se tornar um contribuinte que arcará com a indenização por danos morais e materiais e pela pensão a que terá direito a família do recluso morto no sistema carcerário em rebeliões ou elminações na guerra entre facções.

Eu, a partir de agora, ao contestar uma ação dessas arguirei sempre uma compensação em defesa do Estado, portanto, de você, contribuinte.

Há um custo diário do recluso, sendo, assim, fácil ao juiz fixar uma compensação que deduza da condenação o valor que é utilizado para manter-se um preso no sistema carcerário.

Não acho justo e nem crível que a Constituição da Repúblcia se reserve só a alguns, a sim como já se pretendeu um dia.

A família dos condenados que morrerem no cárcere quando configurada culpa do Estado podem ter direito à indenização, mas o contribuinte deve ter o direito de ver compesado dos parâmetros para a fixação dessas verbas indenizatórias o montante do custo do preso ao Estado.

Não é justo que sejamos vítimas quando perdemos um ente querido ou o patrimônio e, além de custearmos o cárcere que não passa de uma escola de aperfeiçomanto do crime, ainda paguemos a conta da indenização.

DEMOCRACIA GREGA

Ano 03 – vol. 07 – n. 01/2015

Após um longo período limitado ao Twitter e ao Facebook retorno a este espaço, conquanto o faça em breves linhas, mas a ocasião é propícia.

A Grécia festeja um NÃO no plebiscito que envolveu a discussão acerca do socorro financeiro do capital internacional.

A Grécia, berço histórico da democracia (508 a.C., reforçou a ideia de que é preciso que o povo seja ouvido, já que o patrimônio público é na realidade o bolso de cada um.

Com os gregos aprendeu-se os fundamentos do regime, embora o Brasil seja um país à deriva econômica, financeira, moral e eticamente. É lastimável!

Um projeto político cuja única causa é a perpetuação no poder a qualquer custo nos faz, diariamente, constatar que os discursos contra os coronéis do Nordeste, as elites café com leite e tantas outras alegorias retóricas criadas com o discurso populista e oportunista não passavam de uma falácia oportunista.

O gravame é que há os que são indiferentes e vivem à sobra omissivamentr esperando a “boquinha” do que o poder lhe pode permitir ou dele possa solapar com a enigmática afirmação de que “nunca antes na história deste país” se fez tanto pelos pobres.

Realmente. Na época do FHC falavam dos programas sociais como eleitoreiros e oportunistas. O neoliberalismo era uma palavra usada inflamadamente nos gritos estéticos de embandeirados militantes que clamavam por democracia e liberdade. Mas não assinaram a Constituição da República e foram contra o Plano Real.

Hoje, talvez por isso, sentem-se desimpedidos e à vontade de assaltar em quadrilha o patrimônio público, seja ele de forma direta ou indireta.

Hoje a credibilidade do Brasil e no Brasil é das piores. Há uma Chefe de Governo que não sabe de nada, não fala coisa com coisa e ainda se acha no direito de elaborar juízos que meus netos infantes não ousariam elaborar. Não pela idade, mas porque eles conseguem ter uma linha de raciocínio infantil mais lógica do que a que a Presidente supõe possuir.

Virou sublimação a ignorância na cabeça desses homens e mulheres que tornaram o país um partido, logo transformado em bando e, por último, em quadrilha.

Quando vejo a Grécia se contrapondo, pelo voto, à pressão da Comunidade Européia, vem-me à lembrança uma aula no Mestrado da Faculdade de Direito do Recife, onde tive o privilégio de ouvir do Professor Pinto Ferreira: “Democracia é você admitir que o seu oponente pode ter razão”.

Esta pérola vale para a Grécia. Deus queira que não haja um drama social com o resultado do plebiscito. Infelizmente a mesma lição não cabe ao Brasil, porquanto o radicalismo desse monstro que insiste em manter-se no poder, a qualquer custo, logo nos conduzirá a uma situação igual ou pior do que a dos gregos.

Os gregos criaram a democracia como alternativa à tirania. O Brasil inventou tiranos com a democracia.

Que não assinou a Constituição da República não governa com ela. Por isso mesmo por ela deve ser retirada do poder. Já não dá mais para manter no poder uma Presidente que, eleita pela maioria, traiu seu povo e a base do seu partido que já a abandonou.

É preciso salvar a democracia. A grega está intacta sob o ponto de vista político. O social saberemos logo.

É preciso salvar a democracia brasileira. Esta só com duas alternativas: a renúncia ou o impeachment.

Confesso que prefiro a primeira.