Ano 04 – vol. 01 – n. 02/2016
A época em que vivemos impõe reflexões nunca antes feitas na história deste país.
Há conceitos que estão a merecer maior ponderação para que possam ser compreendidos. Não falo de definição.
A definição é alegoricamente representada pela moldura da obra de arte. A moldura é o limite da definição.
O conceito, ao contrário, possui dimensão ampla. Transcende a moldura. Por isso é necessário precisão e clareza de discurso.
Falar em honestidade de alma exige saber em que perspectiva se fala, já que autoproclamar-se honesto não é passaporte para pureza da alma: não basta ser a mulher de César!
A alma (de dimensão múltipla na abordagem literária e filosófica) pode envolver questões morais, religiosas, de personalidade etc. E é aí que a coisa muda de figura.
Diz-se que uma pessoa possui boa alma quando lhe é característica a solidariedade, a harmonia, a paz que consegue transmitir.
Certo é que alma também reside no imaginário como entidades sobrenaturais que seriam capazes de nos atormentar. A infância é um cenário fértil para isso.
No Brasil, hoje, alma e honestidade estão na mídia vociferadas por quem nunca soube de nada, embora a cada passo das investigações policiais e da marcha processual sejam soberbas as evidências de que o contrario aconteceu.
Imagine-se nunca saber de nada do que aconteceu num governo. Mas como, se parte significativa de um partido político se encontra em confinamento carcerário?
Certo é que, a cada dia, sem saber de nada, algumas almas penam em regime fechado, enquanto uma única alma, no desespero de quem está no limbo, vocifera que é a alma mais honesta deste país?
Basta! Pelo visto não vale a pena ser honesto, se conceito ou definição de honestidade forem sinônimos desse quadro que se revela e se agrava a cada dia.
Honestidade não é favor de ninguém. Todos têm esse dever, principalmente os que gerenciam a coisa pública. Não é questão de alma, é de caráter, de ter a responsabilidade de assumir erros e consequências. Ou se é honesto ou se é desonesto, já a partir do discurso.
Quem põe grau em honestidade no discurso como bravata, diante do iminente risco de ser residente do condomínio penitenciário, pode ser até uma alma penada, porém dificilmente honesto. Ou será que nunca não sabendo de nada o que se revela é uma falsa alma, uma alma incompetente ou uma alma delinquente?