Ano 05 – vol. 08 – n. 09/2019
Quando assistia televisão há algumas décadas atras sempre a programação era antecedida por uma tela congelada que apresentava uma nota da censura: Este programa foi liberado para (…) anos. Era sempre assim.
Muita coisa foi censurada o que, de certo modo, estimulou a criatividade de artistas que conseguiam expressar o que minha geração não conseguia dizer. Se dissesse, na menos gravosa hipótese, receberia um “convite” para prestar esclarecimentos na Polícia Federal ou DOPS.
Lembro que meu primeiro passaporte tinha um carimbo em vermelho, em sentido transversal e letras garrafais, o alerta: NÃO É VÁLIDO PARA CUBA.
Esse era o Brasil do período de exceção.
Pois com a redemocratização do país assisti ao anúncio formal: CENSURA, NUNCA MAIS! Acreditei e continuo acreditando nisso, porque a cada manifestação como professor tenho tentado transmitir o entendimento de que a liberdade é fundamento natural da vida humana.
Sempre alerto que democracia tem regras como qualquer regime político (à exceção da anarquia). Portanto, não se pode imaginar que democracia é sinônimo de se fazer o que se quer. Seria o caos.
Tenho percebido, entretanto, que há quem não compreendeu ainda que suas opiniões são livres hoje porque pessoas pagaram um preço grande (alguns com a própria vida) para que isso pudesse acontecer.
Sendo assim, quando sem observar os pressupostos de uma postagem na net as pessoas se põem a querer obstar-lhe as razões sem atenção aos seus elementos lógicos está a desempenha (consciente ou inconscientemente) o mesmo papel que os agentes da censura praticavam, com o gravame de que não compreenderam o que é a democracia. Esses são os censores cibernéticos.