Ano 07 – Vol. 03 – n. 01/2019
Já afirmei aqui da estéril discussão sobre revolução, contrarrevolução e golpe. O fato – ruptura institucional houve – entenda-o como quiser.
Negar que naquela época tenha havido torturas é tão mentiroso quanto negar a existência de assassinatos, justiçamentos e roubos a bancos.
Mas não é disso que se trata o assunto. O assunto é querer que a história tenha só um lado. E isto é impossível, goste-se ou não.
Eu poderia alongar o assunto para dizer de muitas razões para demonstrar que sinais e símbolos são elementos presentes em todas as culturas. Mas cinjo-me aos símbolos nacionais, muitos dos quais muita gente ultrajou com “performances” ou tentativas de desqualificação de fatos historicamente conhecidos.
A Constituição – infelizmente não é símbolo nacional – por exemplo, já foi rasgada por parlamentares que perderam o argumento e se excederam em destemperos.
Mas é nela que estão os símbolos nacionais.
“Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil.
§ 1º – São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais.”
Os sinais são as datas que identificam fatos nacionais. Dia do índio, da bandeira, da raça, da independência, da República etc. que têm sido evocados e adorados para o lazer, assim como a semana santa é, para aqueles que enchem o peito para dizer que o estado é laico, ou se arvoram de ateus ou agnósticos.
Mas o dia de hoje, especificamente, tornou-se uma data diferente não porque o comandante-em-chefe das Forças Armadas determinou o que se esperaria dele desde sua campanha. Não se trata disso.
O dia de hoje se tratou diferente porque deram ao fato exatamente a dimensão que ele queria, uma data que se guarda algum sinal às FFAA nem símbolo nacional é, não passando de uma data que cada vez mais vinha desbotando. Restrita à caserna.
O que não dá para tolerar é negar o fundamento constitucional do pluralismo político que importa em contrários viverem e expressarem seus sentimentos com civilidade. Isto é intolerância, disfarçada de discurso politicamente correto.
Uma lição deste dia acho que fica com bastante nitidez. A lembrança é para que jamais seja esquecido, mas não cultivado.
Quem sabe, agora, aqueles símbolos de que falei voltem a ser comemorados como resgate de nós mesmos? Quem sabe deixemos nas datas não só o espírito de “emendar feriados” e passemos a compreender que sinais e símbolos podem resgatar a nacionalidade que perdemos em aventuras frustradas?