O FUTEBOL NÃO É PARA DOENTES

ANO 08 – Vol. 01 – n. 03/2020

Após ter vencido o sub20 do Flamengo por 1 x 0 a torcida do Fluminense (como se constata da foto) reportou-se à tragédia do Ninho do Urubu como time de assassinos.

É fato que a tragédia exige que o Flamengo solucione as pendências com as famílias que não aceitaram o acordo proposto. Mas também é fato que a tragédia não legítima uma atitude dessa natureza, pois o futebol não é o cenário para esse tipo de manifestação. Além de acirrar a rivalidade (sabe-se lá como será um novo encontro entre os dois times) faz sangrar ainda mais os corações dos familiares das vítimas.

Torcer e zoar faz parte da alegria que o futebol nos da, mas atitudes como essas se equiparam aos gestos de racismos vistos na Europa e que muitos se dizem indignados por aqui.

A tolerância com comportamentos como esse estimulará que a reação venha sabe-se lá como. Logo o Fluminense, que se considera “time da elite” e cujos torcedores se irritam quando zoam chamando seu time de FLORminense.

A Federação Fluminense (ou Carioca?) de Futebol, que não se notabiliza como grande organizadora de eventos,deve tomar uma providência.

Legítimo é torcer e zoar. Discriminar e ofender não tem espaço no futebol. É coisa de gente doente. O

O ESTRANHO E O ÓBVIO

Ano 08 – Vol. 01 – n. 02/2020

Nada há de mais recorrente hoje do que se ouvir que vivemos “tempos estranhos”. Já ouvi ministros do STF, jornalistas, advogados, escritores, professores, todos considerando essa oração a síntese de algo novo, sem atentarem para o óbvio.

Alguns dos fatos que transformam os acontecimentos em “tempos estranhos” são de conhecimento centenário, chegando a ser óbvio sem que antes tenham parecido.

Alguns fatos que posso pinçar da história contemporânea envolvem os erros de português do ministro da educação, embora a “crucificação de Jesus Cristo” pelo ex-presidente e presidiário em liberdade provisória, tenha parecido normal. Saudar a mandioca ou estocar vento pareceram atitudes perfeitamente normais, já ver Jesus Cristo no pé de goiaba ou a defesa de azul e cor-de-rosa, pareceram as coisas mais esquisitas nesses “tempos estranhos”.

O que se dizer dos empregos distribuídos ao operariado e hoje ocupados por militares? Antes era normal, mas nesses “tempos estranhos” é digno de reprovação.

O estranho nesses tempos é querer, em pleno século XXI, com o discurso amarelado pelo tempo, tentar repetir ideias de regimes políticos opressores e assassinos, tomando carona no modismo de criticar o nazismo abominável, mas com ele tendo se abraçado desde a origem, sem que disso possa se eximir pela força da história.

Realmente, os tempos são estranhos, quando as autoridades, por que contrariadas em seus íntimos desejos, se põem a ocupar a mídia com discursos que ganham projeção, coonestados por parte da mídia contrariada em seus interesses, sem qualquer compromisso com a paz social, em um país de desigualdades históricas, mergulhado ainda mais na vala das angústias, criada por quem desejou inventar o consumidor, sem compromisso qualquer de cidadania.

Os tempos estranhos” não passam da obviedade do poder. Rigorosamente os discursos de linhagem democrática não passam das mesmas mensagens dos tempos passados, sem que tenha parecido estranho o que é tão óbvio.

Estranho é não conseguir compreender que uma democracia precisa dessa alternância que lhe provoque as bases e demonstre sua solidez ou fragilidade. Estranho é não aceitar o discurso do outro, pondo o dedo em riste pela falta de argumento. Estranho é querer controlar a liberdade, mas aceitar que ela seja suprimida em nome do seu “líder”.

Estranho não são os tempos. Estranho são os homens não quererem enxergar o óbvio: o Brasil é plural, embora os que têm almas de ditadores em corpo de democratas queiram transformá-lo em singular. Isto, sim, é estranho.

A VERSÃO E O FATO

Ano 08 – Vol. 01 – n. 01/2020

O Brasil vive um dos seus períodos mais inóspitos da democracia. Por causa de um governo de direita? Não, por causa de fatores como a intolerância disseminada por conta de um discurso que se vitimiza em dissimulada criação de versões que pretendem se apropriar de conceitos como democracia e liberdade, só para ficar nesse plano.

O Brasil viveu um período de censura das manifestações culturais (falo do gênero) que só tem como paradigma o Getulismo do Estado Novo, mas parece que mergulhou em uma fase cuja configuração mais frequente é transformar fatos em versões, sob o pálio de um discurso vitimista.

As instituições que deveriam zelar pela democracia e liberdade tem se configurado em braços armados de teclados (não mais de canetas) de partidos políticos que se notabilizaram na história recente do país, mais como facções criminosas, do que como organismos de propulsão política. As operações policiais e judiciais são a prova disso. A fase mais aguda da corrupção do Brasil, sem dúvida em número e em numerário é, seguramente, a herança deixada pelo partido do operariado.

Reporto-me, aqui, a duas dessas instituições nos dias de hoje: a OAB (signatária de primeira hora dos ideais da revolução (que depois passou a chamar de golpe de 1964) e a ABI, com a ratificação da grande imprensa. Ambas, vieram a se tornar vítimas do próprio movimento que estimularam, mas parece que ainda não compreenderam o papel da história em suas existências.

A OAB, que por lei é defensora da ordem jurídica, contra ela tem se oposto em notas que envolvem fatos muitas das vezes delituosos, mas cuja versão é a defesa de liberdades públicas, mas de forma seletiva como visivelmente se constata.

A imprensa, pela ABI (e tantos outros organismos corporativos) de fatos gera versões, em uma escalada que faz degenerar o direito à informação de fatos, transformando-os em versões que defenestram a verdade sob o argumento de que está sendo vítima da privação de liberdade de imprensa.

Tudo não passa de versões!

Nos últimos dias (apenas dois fatos serão lembrados) para comprovar o que aqui se diz. 1) um juiz do trabalho, a despeito de “fundamentar” uma sentença condenatória, lançou-se na aventura de produzir insultos ao sistema democrático brasileiro, com a arrogância do autoritarismo e o explícito ativismo político. O que disse a OAB? Nada! Calou-se na conveniência omissiva de quem ideologicamente torna a Instituição um braço partidário, se tanto. 2) o Ministério Público Federal ofereceu denúncia contra “hackers” e um “jornalista” em face de coordenada orientação e condução de atividade que violou o sigilo de autoridades. O que disse a ABI e a imprensa em geral? Que se trata de impedimento do exercício da “imprensa livre”.

Como se pode constatar os fatos são versões construídas em função de uma verdade inegável: não aceitam que a esquerda tenha sido derrotada nas eleições. Este é o fato no Brasil.

Pouparei o leitor de relacionar as versões construídas e depois desmentidas. A cada um cabe tirar suas conclusões.

A democracia não existe sem liberdade, porque é a ela intrínseca, mas liberdade sem a compreensão das “regras do jogo” não passa de um cenário de intolerância. Não há direito superior na Constituição, porque princípios concorrem, entre eles não há hierarquia. Portanto, a liberdade de imprensa ou a “imprensa livre” como se pretende defender é diferente da imprensa irresponsável que não encontra limites para produzir suas versões.