Ano 08 – Vol. 01 – n. 01/2020
O Brasil vive um dos seus períodos mais inóspitos da democracia. Por causa de um governo de direita? Não, por causa de fatores como a intolerância disseminada por conta de um discurso que se vitimiza em dissimulada criação de versões que pretendem se apropriar de conceitos como democracia e liberdade, só para ficar nesse plano.
O Brasil viveu um período de censura das manifestações culturais (falo do gênero) que só tem como paradigma o Getulismo do Estado Novo, mas parece que mergulhou em uma fase cuja configuração mais frequente é transformar fatos em versões, sob o pálio de um discurso vitimista.
As instituições que deveriam zelar pela democracia e liberdade tem se configurado em braços armados de teclados (não mais de canetas) de partidos políticos que se notabilizaram na história recente do país, mais como facções criminosas, do que como organismos de propulsão política. As operações policiais e judiciais são a prova disso. A fase mais aguda da corrupção do Brasil, sem dúvida em número e em numerário é, seguramente, a herança deixada pelo partido do operariado.
Reporto-me, aqui, a duas dessas instituições nos dias de hoje: a OAB (signatária de primeira hora dos ideais da revolução (que depois passou a chamar de golpe de 1964) e a ABI, com a ratificação da grande imprensa. Ambas, vieram a se tornar vítimas do próprio movimento que estimularam, mas parece que ainda não compreenderam o papel da história em suas existências.
A OAB, que por lei é defensora da ordem jurídica, contra ela tem se oposto em notas que envolvem fatos muitas das vezes delituosos, mas cuja versão é a defesa de liberdades públicas, mas de forma seletiva como visivelmente se constata.
A imprensa, pela ABI (e tantos outros organismos corporativos) de fatos gera versões, em uma escalada que faz degenerar o direito à informação de fatos, transformando-os em versões que defenestram a verdade sob o argumento de que está sendo vítima da privação de liberdade de imprensa.
Tudo não passa de versões!
Nos últimos dias (apenas dois fatos serão lembrados) para comprovar o que aqui se diz. 1) um juiz do trabalho, a despeito de “fundamentar” uma sentença condenatória, lançou-se na aventura de produzir insultos ao sistema democrático brasileiro, com a arrogância do autoritarismo e o explícito ativismo político. O que disse a OAB? Nada! Calou-se na conveniência omissiva de quem ideologicamente torna a Instituição um braço partidário, se tanto. 2) o Ministério Público Federal ofereceu denúncia contra “hackers” e um “jornalista” em face de coordenada orientação e condução de atividade que violou o sigilo de autoridades. O que disse a ABI e a imprensa em geral? Que se trata de impedimento do exercício da “imprensa livre”.
Como se pode constatar os fatos são versões construídas em função de uma verdade inegável: não aceitam que a esquerda tenha sido derrotada nas eleições. Este é o fato no Brasil.
Pouparei o leitor de relacionar as versões construídas e depois desmentidas. A cada um cabe tirar suas conclusões.
A democracia não existe sem liberdade, porque é a ela intrínseca, mas liberdade sem a compreensão das “regras do jogo” não passa de um cenário de intolerância. Não há direito superior na Constituição, porque princípios concorrem, entre eles não há hierarquia. Portanto, a liberdade de imprensa ou a “imprensa livre” como se pretende defender é diferente da imprensa irresponsável que não encontra limites para produzir suas versões.