Ano 08 – Vol. 03 – n. 11/2020
A reportagem do Drauzio Varela (médico que tem indiscutível valor) trouxe uma abordagem que alcançou imediato destaque pela dimensão humanística em favor de “um transsexual” que não recebia uma visita havia oito anos, se bem lembro.
Não assisti à reportagem. Raros são os momentos que tenho assistido a programas da Globo, pelo tipo de jornalismo (nem sei se assim posso chamar) já há alguns anos.
Mas hoje o Twitter estampou o que seriam os crimes cometidos pelo recluso. Bárbaros, de fato.
Não discuto que as pessoas devam ser tratadas como tais. Não seria razoável. Mas não posso concordar com as justificativas que estão sendo reproduzidas.
Sobre a Globo há apenas uma nota sem muita consistência lógica emitida pelo médico e com a qual a empresa concorda.
Pois bem. Aquela gente que normalmente incensa bandidos logo se pôs ao mimimi costumeiro, desejando subverter o equívoco cometido.
Dizer que a reportagem não pretendia abordar os crimes é um tapa sem luvas na face dos familiares da criança estrangulada, morta e enterrada.
Não houve erro em abraçar o criminoso. Cada uma faz a sua escolha. Querer, entretanto, mostrar com o gesto que a vítima é o algoz foi, no mínimo, impor à família da criança reviver a dor mais uma vez.
Canalhas são os que transformam em “vítimas da sociedade” os monstros que não respeitaram a dignidade de um indefeso.
Ele não foi condenado por ser trans. Ele foi condenado porque cometeu um crime contra um ser sem possibilidade de defesa.
Um comentário em “A GLAMOURIZAÇÃO CRIMINOSA”