Ano 08 – Vol. 05 n. 27/2020
Não se pode imaginar uma sociedade democrática e plural sem a liberdade de informação.
É fato que a imprensa do Brasil está sofrendo de um pecado terrível: a parcialidade. Mas também é fato que, mesmo com seus defeitos, não deve ser privada do seu exercício.
Há culpados que dividiram este país como se existissem apenas pessoas boas e más, dependendo do ponto de vista. Seguem desafiando as pessoas que cumprem as leis, com a chancela dos Tribunais, quando deveriam estar encarceradas, por que sabidamente criminosos judicialmente declarados.
Há um sinal de mediocridade tamanha entre os bárbaros que ser herói e bandido deixou de ser virtude e vicio e passou a ser sinônimo de compadrio.
Li, com indignação de quem defende o pluralismo político, que alguns veículos de comunicação não mais cobrirão o governo e suas ações, por conta da falta de segurança da integridade física de seus profissionais.
Assis a um vídeo em que um grupo de insanos desferiam insultos e hostilizavam alguns profissionais da imprensa. Por pouco não houve agressão física.
Estamos em momento de pura perturbação social no Brasil. A eleição parece não ter acabado. As autoridades (dos três Poderes) dão os piores exemplos aos governados, mergulhando o país no risco de conturbação inevitável.
As competências constitucionais parecem um caleidoscópio que ao girar, conforme a conveniência, compõem uma imagem diferente, rompendo o compromisso constitucional da ANC. Tudo isto em meio a uma pandemia em que a política produz torcida organizada por remédios, terapias e critérios de condução de isolamento das pessoas.
É certo que há uma contribuição nesse cenário de que se sente falta (ou já nem tanta). A OAB que a muito custo alcançou “status” constitucional perdeu-se como mediadora que foi durante muito tempo, mergulhou na vindita pessoal do seu presidente que deixou de perceber causas e passou a defender casos.
É repulsivo ver pessoas que não conseguem nitidamente compreender o custo da liberdade, porque jamais leram qualquer linha sobre os anos de exceção, exalarem ódio contra profissionais que, por seus pecados profissionais próprios, ou em cumprimento de pautas predeterminadas, tentam exercer a profissão com liberdade. São pessoas, tem o direito de ter a dignidade respeitada.
Por tudo é inaceitável que a intolerância se restaure. Por ela passamos e a ela não desejamos retornar. A ordem, essencial em toda a democracia, não da chancela a bárbaros, intolerantes que merecem segregação a pão e água, para que compreendam o preço da liberdade.
Um comentário em “A LIBERDADE E OS BÁRBAROS”