REPÚBLICA DE JOELHOS

Ano 09 – vol. 04 – n. 33/2021

A redemocratização do Brasil foi uma das maiores esperanças que eu nutri na minha vida.

Queríamos votar para presidente, governador…queríamos votar porque isto seria a redenção de gerações (pobre de nós) que achávamos que eleições diretas seriam a solução.

Recuperamos o direito ao voto. Elaboraram uma nova Constituição que juraram cumprir com proclamação solene de “ódio à ditadura”. Mas não é bem o que se vê. Esqueceram-se que, às vezes, a caneta é mais letal do que o fuzil.

No Brasil, diariamente, assistimos ao descompromisso constitucional. Não precisa ser um especialista para compreender. Separação de Poderes, invasão de competências, supressão de direitos fundamentais, tudo, simplesmente tudo, tem sido violado no Brasil.

O Estado Democrático de Direito tão sonhado não passa de uma locução retórica. Vive-se um período de exceção das piores, como aquela época que minha geração chamou de “anos de chumbo”.

Como nas ditaduras mais cruéis a Constituição não passa de um farrado de que se puxa um fio a cada dia.

Nós, brasileiros, já tivemos com quem contar um dia. Hoje, abandonados por todos (rigorosamente, todos) assistimos a República posta de joelhos.

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