“DEITADO ETERNAMENTE EM BERÇO ESPLÊNDIDO”?

Ano 09 – vol. 07 – n. 57/2021

Quando Joaquim Duque-Estrada escreveu a letra do hino nacional e Francisco Manoel da Silva a musicou, certamente não tinham em mente uma elegia à inação. À evidência o esplendor da terra, com riquezas e belezas, foi o cenário da expressão tão bela em execução. A própria bandeira nacional evoca isso.

A importância dos símbolos de um povo é tão grandiosa e necessária que a própria Constituição da República eleva à condição de norma imperativa. E é com esse documento principal que nós nos apresentamos como povo soberano perante a comunidade internacional.

Mas em um país completamente dividido, por um certo discurso que começou na Av Paulista há décadas atrás, com a afirmação de “nós contra eles” desembarca no pior dos cenários: o terrorismo.

Já não se trata mais de violência urbana. Muito menos de protestos. Estamos diante de prática terrorista articulada que nem história pretende reescrever. O propósito confesso é apagar a escrita.

Nem adianta a mídia tentar ressignificar como “ação direta” o que, na prática, é atentado terrorista. Roubo a banco já foi chamado de “expropriação” pelos guerrilheiros urbanos da década de 1960. Continua sendo uma guerra. Continua precisando ser combatida.

No Brasil tem sido assim. A Comissão da Verdade, que em nada se aproxima do que ocorreu na África do Sul, resolveu escrever uma mentira (ou várias) como se a guerra não fosse diante da tentativa de instituir uma ditadura do proletariado, coisa que só os homens conscientes do que fizeram são capazes de reconhecer. Os outros insistem em iludir os jovens falando em luta pela democracia. Mentira.

Agora o momento é outro. As práticas podem ser diferentes mas os atos continuam sendo de terrorismo, o método violento de querer impor, a qualquer preço, a ideologia do mal, doente, enquanto seus conceptores e estimuladores assistem às variações de mercados e bolsas.

Há responsáveis notáveis por isso. Pessoas que não tem condições de exercer suas atribuições institucionais serão condenados pela história. Essas são as novas caricaturas do Brasil, que se juntam a ideias carcomidas, e não deram certo em lugar algum do mundo, mas que seduzem uma geração de iPhone na mão que defende o pronome neutro na linguagem, mas que é incapaz de explicar o que seja um pronome, diferenciar adversário de inimigo ou construir uma oração que “abrigue no mesmo quadradinho”o sujeito e o verbo.

Eu não sei até quando os poderes e autoridades constituídas deste país esperarão para repor a ordem. Exemplos nós temos no continente: Cuba, Venezuela, Argentina e tantos outros. Por aqui até senadores já “convocam exércitos particulares” para confrontos.

Ninguém combate terrorismo com rosas. Ou há uma reação proporcional ou veremos no Brasil a pior das hipóteses que será o confronto civil pela inação de quem tem competência para proteger. Não é uma constatação, mas um temor.

Estou certo de que o “berço esplêndido” do hino é uma metáfora de paz, não uma autorização à inércia. Basta lembrar que em defesa do Brasil o mesmo hino sentencia:

“Mas, se ergues da justiça a clava forte
Verás que um filho teu não foge à luta
Nem teme, quem te adora, a própria morte…”

Não precisamos morrer para que o Brasil consiga sobreviver às gerações perdidas, mas temos o dever de lutar para que novos símbolos possam ser construídos.

Na sociedade civilizada não há espaço para bárbaros.

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