Ano 10 – vol. 02 – n. 12/2022
A Corte Constitucional da Colômbia decidiu descriminalizar o aborto até 24 semanas de gestação. Qualquer motivo poderá ser alegado pelas mulheres para que, até seis meses de gestação (sim, você não leu errado) possam praticar o aborto, uma assassinato seletivo agora chancelado pelo “Estado de Direito”.
Mas a Colômbia não está só nessa empreitada. O Brasil, pelo seu Supremo Tribunal Federal, na ação de “Habeas Corpus 124.306” também descriminalizou o crime. Em mais de trinta anos de professorado foi a primeira tipificação penal judicial a que assisti.
O assunto, aliás, não é obra da jurisdição da América do Sul. É uma consequência crescente de uma praga antidemocrática chamada de “ativismo judicial”, um comportamento que outra coisa não revela senão a negação de todo o esforço do Barão de Montesquieu. E olha que isso foi no Século XVIII.
A Europa, pelo seu Parlamento, já fala em direito fundamental para proteger a dignidade da pessoa humana da mulher, tergiversando sobre a discriminalização do aborto.
Por aqui a moda é falar-se em impulso iluminista, uma espécie de pílula ideológica que chega em doses frequentes, com seus frascos coloridos, e cuja bula, redigida com pobreza jurídica e abundância ideológica, seduz incautos e mal esclarecidos de que a compreensão dada a matérias dessa natureza apenas reproduz a condenada eugenia nazista. Lá, como cá, em diferentes épocas, os resultados são os mesmos.
A vida humana, por concepção natural ou jurídica é uma condição necessária e indispensável a que se fale em direitos do homem, direitos humanos ou direitos fundamentais. Legisla-se para quem? Simples assim.
Não se queira enfrentar um tema desses sob o simples embate entre sexos. Não se trata disso. Se Deus desse ao homem (sexo masculino) a capacidade natural de parir a abordagem seria a mesma. A compreensão em contrário só revela descompromisso com o debate, apenas com a discussão.
Claro que cada proposição com requintes de crueldade encontrará uma assistência a laborar conceitos, definições, explicações, para tentar convencer as pessoas de que se trata de um direito de integridade da mulher, portanto, da pessoa humana. Não é.
Não se trata, também, de um problema de saúde pública. A saúde pública envolve acesso ao sistema, educação, prevenção, seguridade, jamais, entretanto, assassinato de quem não tem condições de manifestar vontade.
Essa mesma gente que hoje fala em que pais não são proprietários de filhos e que por isso podem perder a guarda se não cumprirem com o dever de vacina-los, ainda quando o fármaco passe por reiteradas releituras, é a mesma gente que agora diz que um ser humano (sem humanismo nas veias) possa ter o direito de assassinar um ser vivo, portanto, terceiro que, se ainda não pessoa, nem por isso deixa de ter a proteção jurídica. É a mesma gente que se indigna com os maus tratos aos animais (a única ponderação racional que possuem), é a mesma gente que não come carne para poupar os bichinhos e proteger a camada de ozônio, é a mesma gente que…Não é necessário ir mais longe.
O mundo assistiu duas grandes guerras, testemunhou a barbaridade humana, criou leis e repudiou práticas. Parece que as pessoas não aprenderam, porque se põem em festiva comemoração à autorização judicial para o extermínio da humanidade, uma vez que qualquer ser humano importa, não apenas o negro, o branco, o índio, o asiático, o europeu, o americano, o africano etc. Vida é vida. Liberdade é liberdade, mas a integridade humana ou é plena ou ela não passará de cláusulas constitucionais mortas, o faz de conta, a lei que não pega, porque sem as mãos do parlamento, nasce de juristas da “lei do Gérson”, os que sempre querem levar vantagem, os que douram a pílula.
Pare e pense um pouco. O Estado que hoje autoriza a execução de seres indefesos é o mesmo que poderá amanhecer amanhã te conduzindo, pelas mãos do carrasco, à câmara de gás, porque mais pessoas não precisam nascer, porque o mundo está muito populoso, porque não há comida para tanta gente, porque assim você será mais feliz.
Desconfie desses progressistas. Eles não passam das mesmas pessoas que um dia fizeram a humanidade chorar e continuam a fazer, sempre que a vida humana é descartável. Nos campos de concentração ou nos gulags, não importa. A autorização de supressão da vida humana com o aborto não passa de uma seleção autorizada pelo Estado.