Ano 10 – vol. 02 – n. 10/2022
A canção do saudoso Belchior diz que “por medo de avião eu segurei pela primeira vez na tua mão. Mas a canção que fala da timidez, do amor juvenil, de tantos outros elementos para ultrapassar barreiras. Só não fala da loucura.
Valendo-me do direito de usar o substantivo doido, antes de aparecer mais um outro que diga que é politicamente incorreto, lembro de um ditado popular que ouço desde a meninice falando que o sujeito é tão doido que atira pedra em avião. Pois é. É exatamente sobre esse tipo de gente que falo hoje.
O Canadá é logo ali. Faz fronteira com os Estados Unidos, seu primo rico, mas, neste momento, pode-se dizer, os dois estão em pé de igualdade, porquanto dois homens com funções cognitivas descompensadas (des) governam países que sempre se orgulharam do exercício de liberdade. No primeiro, temos uma espécie de Sócrates invertido, que nem sabe o que sabe, embora relativize o “des-saber”. O nosso Sócrates, daqui do Maranhão, ao menos opinava com elocubrações delirantes e certa logicidade na construção argumentativa, para quem tivesse paciência e parasse para ouvi-lo. Na realidade, o de lá nunca soube, e jamais saberá alguma coisa, a considerar a situação em que enterrou aquele grande país. No segundo, há o que diz que não proibiu proibindo, afirmando o oposto do que os próprios manifestantes defendem, que outra coisa não é senão o direito de manifestação. Estes fatos são a tradução do hospício do hemisfério norte. Mas claro que o Brasil não ficaria atrás.
Aqui amanhecemos com uma espécie de charge, meme, brincadeira, gozação, seja lá como se queira rotular, em que o atual presidente, em viagem à Rússia, teria conseguido que o presidente Putin não invadisse a Ucrânia, sendo a montagem atribuída a uma rede de televisão. Pronto! Foi o suficiente!
Edições (quase) extraordinárias, posts produzidos e reproduzidos por ícones do jornalismo nacional, comentaristas, analistas, especialistas, ariticulistas, cartunistas, desenhistas, artistas (ufa!) uma romaria de militantes levando a sério o fato e estampando em vermelho (tinha que ser) a expressão que virou sinônimo do que desagrada esse tipo de gente: FAKE NEWS! Em letras garrafais mesmo.
O mundo sempre teve os seus loucos e continuará tendo. Houve quem desejasse eliminar pessoas, começando pela segregação. Deu no que deu e parece que há vários soltos por aí fazendo coisa semelhante, com métodos parecidos.
Mas há os que se enganam e há os que querem ser enganados. Estes últimos são as figuras queconhecemos como “Napoleão de hospício”, aquele que é capaz de se achar parecido com Jesus Cristo, a quem reserva o enforcamento como condenação, por isso mesmo, tenha crucificado Tiradentes.
A que ponto chegou a América. A que ponto se chegou no Brasil. Uma rápida busca sobre o tempo de vôo entre a origem e o destino da viagem presidencial e seria o bastante para se considerar que o assunto não passava de uma pilhéria que, pelo constatado, proporcionou um repertório de piadas, que geraram outros tantos memes, com essa Entourage que mais do que estúpida, atira pedra em avião.