Ano 11 – vol. 04 – n. 18/2023 – https://doi.org/10.5281/zenodo.8332583
Soube, há poucos instantes, da partida do colega Ruy Almada Lima.
Conheci-o bem antes de sermos colegas de PGE. Eu ainda menino, mas em uma cidade de pouco mais de duzentos mil habitantes, era possível acompanhar os irmãos mais velhos.
Ainda pelo Jaguarema (ou teria sido em casa do Sr Carlos Lima, vizinho no Apeadouro?) já não lembro. Ficou-me na lembrança a barba sempre cuidada e a cordialidade desde então.
Passados anos da vida e eis que nos tornamos colega de PGE. Eu egresso do primeiro concurso e ele vindo do DER.
Retomamos a amizade e, de confraternização em confraternização, meu violão era motivo de lembranças. Uma música aqui, outra acolá, e nossos encontros de fim de ano foram muitos, durante muitos anos.
Hoje, ao ser surpreendido pela notícia, vieram-me à memória a lembrança de incontáveis encontros e papos sempre que nos encontrávamos. E, às sextas, invariamente trajando roupa branca, um linho alinhado, aliás.
Era um homem versado no inglês e no francês, o que nos aproximava e nos divertia de certo modo, quando propúnhamos substituir palavras que, por tradução literal, não correspondiam necessariamente ao idioma escolhido, mas não importava, o que valia eram os sorrisos.
Fica para mim a imagem de um colega que foi determinado a lutar por sua categoria, sem perder o cavalheirismo ao ligar para pedir opinião e sempre dizer: “Zeca, com o amigo sempre aprendo”. Mal sabia que ele me ensinava com o gesto.
Registro esta singela homenagem, hipotecando minha solidariedade a toda a sua família, como meu sincero pesar. Estou certo que a dor dos que ficam é recompensada pela esperança de que o homem de branco seja recebido em brancas nuvens.
Ruy, quando um dia eu chegar, quem sabe me digas, como fizemos muitas vezes: “Between, my friend”, com um largo sorriso de quem sabe que quem viveu a vida com alegria é luz que jamais se apaga.
Go straight into Father’s arms, my friend.