MESA DE BAR

Ano 11 – vol. 10 – n. 65/2023 – https://doi.org/10.5281/zenodo.10014807

O massacre sofrido por Israel, produzido pelas mãos assassinas do Hamas, revela um crescente recrudescimento do antissemitismo. É Lamentável que assim seja, porque a história contemporânea deixou a triste e indelével marca contra o povo judeu. Só um fanático pode negar o que ocorreu. E o mundo está cheio deles, sem excluir o nosso país.

O fanatismo e a subversão religiosa, reunidos em seres com delírios estimulados pelo ódio, são os ingredientes para sedução de jovens incautos, incultos muitas vezes, que são convencidos de que há legitimidade e aprovação divina para os atos de fuzilamento e degola vistos através da redes sociais, os mesmos que as mídias sociais, pela imprensa tradicional, desejam atenuar com seu perfil ideológico atrasado.

Não há meio termo. Israel foi invadido e atacado. Mais do que direito natural, tem o dever de defender seu povo. Não há termos médios, o Hamas é um grupo terrorista e tem sido estimulado, sobremodo, pelo Irã, inimigo declarado de Israel. O mesmo Irã a quem foi não apenas dada autorização para navios aportarem por aqui como, ainda, com direito a festa à bordo com a presença de autoridades brasileiras.

É lamentável como assunto tão sério e grave tem sido tratado pela imprensa e pelas autoridades do Brasil, com uma consciente, deliberada e covarde postura de admitir o óbvio: terroristas atacaram um Estado de Direito.

O Brasil, que teve na figura de Oswaldo Aranha papel decisivo para a criação do Estado de Israel, tem a oportunidade ímpar de presidir o Conselho de Segurança da ONU, mas seu nanismo diplomático e sua covardia confessa sinalizam apenas que estamos à deriva. Ao invés disso (denunciou um veículo da mídia) tentou inserir cláusula atenuante em favor do grupo terrorista em nota oficial daquele Conselho. Uma lástima!

Há uma guerra lá fora que tem que ter como fim o extermínio do Hamas, o que não se confunde com o povo palestino que também deseja e precisa que isto aconteça. Por mais que uns celerados desejem confundir as coisas, o povo palestino nada tem a ver com essa organização criminosa. Isto, aliás, foi dito pela Autoridade Palestina, uma espécie de presidente da nação.

Mas o discurso de vitimização, tão frequentemente difundido por aqui pela imprensa tradicional sugere – quando não, afirma – que o vilão da história é Israel, porque pretende invadir Gaza desatento ao povo palestino que ali reside. Há os que falam em falta de proporcionalidade.

O que seria proporcional no episódio? Israel teria o direito a estuprar o mesmo números de mulheres vítimas da barbárie? Ou teria o direito de degolar quarenta bebês? Ou teria o direito de fuzilar quantas famílias? Não é proporcionalidade o argumento?

Claro que não pode haver proporcionalidade ou reciprocidade quando o assunto é retirar a vida humana. Isto seria vingança. Mas também não se pode esperar que haja indiferença de Israel ao não reagir, porque aí não estaria legitimado e apto a cuidar do seu povo, pois terá sido incompetente de preservar sua própria integridade.

O direito de estar vivo não pertence só ao povo palestino, povo, aliás, que é refém do próprio Hamas, como demonstram todos os acontecimentos até hoje ocorridos naquela região nos últimos dezesseis anos.

Só mesmo no Brasil se pode elucubrar que o discurso de vitimização seja um passaporte a legitimar a prática de crimes contra a humanidade. Não pode haver perdão para a barbárie e é preciso que isto seja dito com todas as letras para uma gente sem qualquer viés ético mínimo.

Só mesmo no Brasil se assiste, na contramão do que estão fazendo Inglaterra e França, um partido político, declaradamente simpático à organização terrorista chamada Hamas, confessar, contraditoriamente, o que nega: ao acusar Israel de genocídio se alinha ao argumento do Hamas que, conforme a própria autoridade palestina declarou, não representa o povo palestino.

O Partido dos Trabalhadores, que dá sustentação ao atual governo, recebe recursos públicos e se manifesta com esse tipo de sinalização, acusando um Estado de Direito da prática de crimes contra a humanidade, como se estivesse à mesa de um bar.

O Ministério Público Federal não acha estranho que essa organização continue com registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral? A OAB não acha estranho? A magistratura não se incomoda?

É fundamento da nossa Constituição a dignidade da pessoa humana. Mas também é um dos princípios a ser observado nas suas relações internacionais o repúdio ao terrorismo e ao racismo.

O Brasil permanece silente, como um anão diplomático e indiferente à civilização, escondendo do mundo o seu envolvimento com a escória latino-americana, que persegue religiosos, condena sem devido processo legal quem se oponha ao sistema, subjuga os povos desarmando-os e os humilha com a alternativa do refúgio, enquanto glamoriza o crime organizado.

Todo órgão ou entidade que se alinhe a uma organização internacional criminosa, dando-lhe toques de afeições e apreço, não está disposta a oferecer qualquer contribuição ao regime democrático, já tão combalido no Brasil, por isso mesmo devendo ser proscrita da sociedade política.

Vivemos uma quadra neste país em que tudo era sinônimo de fascismo, autoritarismo, nazismo e tantos outros adjetivos impropriamente utilizados. Não faltou oportunidade para que instituições, poderes e até autoridades, pessoalmente, lançassem notas ou emitissem declarações, sobre tudo e em apoio a tudo. Hoje o silêncio impera com o gravame de contar com a cumplicidade de uma imprensa corrompida em valores e seduzida por favores.

Como eu disse o nanismo diplomático e governamental do Brasil é gritante, contraditoriamente gigantesco, com pitadas de patologias graves. Talvez por isso agora se possa compreender o delírio de um dia de que uma guerra poderia ser resolvida em uma mesa de bar tomando umas cervejinhas.

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