O DRAMA E A COMÉDIA

Ano 12 – Vol. 05 – N. 27/2024

https://doi.org/10.5281/zenodo.13351173

É tipico de regimes autoritários e de situações excepcionais a fanfarronice de alardear acontecimentos. Basta que haja um palco e lá estarão os espertalhões para não pagar ingresso e assistirem ao espetáculo. Seja drama ou comédia.

Quando se estuda Direito Financeiro (era assim na disciplina que se estudava) apreendem-se dois conceitos que se aproximam foneticamente, mas se distinguem pela extensão: imprevisão e imprevisibilidade. No primeiro está a falta de previsão; no segundo, a insuficiência. Pois é nisso que residem o drama e a comédia de que aqui se fala.

O drama vive toda a gente do Rio Grande do Sul devastado, onde só mesmo a sociedade civil organizada tem a sinceridade da solidariedade. Os exemplos são inúmeros. Talvez seja o drama de hoje que leve todo um país a compreender, finalmente, que auxílios emergenciais são migalhas perpetuadas pelo desejo de dependência do poder.

Nem previsão, nem previsibilidade, apenas a nefasta omissão de quem governou aquele estado e sabe de suas fragilidades ambientais, mas optou por nada fazer, além de demagogia política.

Nada mais oportuno lembrar neste momento dramático por que vive o Brasil, pois um dos seus mais importantes estados (refiro-me ao potencial produtivo) está em meio a sua maior catástrofe. A maior porque, muito provavelmente, não será a última. É o que nos comprova a história, a mesma que pretende ser desmentida por versões fantasiosas de um (contraditoriamente) “progressismo primitivista”.

Pois bem, com fanfarrices, festejos e gritos da militância, o presidente ungido preanuncia seu candidato à sucessão governamental do Rio Grande do Sul. Ou alguém duvida que assistimos a um oportunismo eleitoral precoce cometido por quem já pediu votos para um pré-candidato à prefeitura de São Paulo? Claro que não.

Pois em meio ao drama a comédia cria mais um ministério que pretende apenas esvaziar espaço no palácio do planalto para acomodação de “novos” projetos.

Não se sabe ao certo quem ocupará a sala, conquanto seja possível elucubrar que um (a) obediente sirva. Não há exigência maior que não a de quem possa ter a vocação de censurar tudo o que desagrade.

Certo, porém é que a vocação de um chefe de polícia autoritário já serve, porque o que puder ser subvertido sob o mantra do momento (Fakenews) é tudo o que importa. O resto pode deixar por conta de um conjunto de patetas úteis em certos programas de televisão, ávidos por mentir com o semblante indisfarçável de militantes.

Este país está na lama e sob as águas no Sul um pouco pela natureza, mas também pela imprevisão e imprevisibilidade irresponsável de seus governantes. Basta ver o tempo que essa gente por lá passou no poder. Mas há coisa pior.

Este país está sob a lama, sobretudo, porque criaram um projeto de poder que ignorou a base legítima e imaginou que pudessem sufocar a mais autêntica vontade popular, contida em um significativo contingente, que vai às ruas com o vigor da indignação de quem sabe que foi ultrajado por pessoas que, às ruas não podem ir, vivem como ratos de esgoto em caminhares soturnos. A isto estão condenados até que a conta celestial chegue.

O quadro que assistimos tem responsáveis, não apenas coadjuvantes. Há bobos e bobas da corte a incensar seus reis por migalhas. Há mais nas masmorras, onde o sofrimento é visível. Há perfídia e subserviência. Enfim, há dramas e comédias. Enquanto a lona estiver montada haverá espetáculos, ainda que seja de horrores.

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