A PARTIDA DE TITO

Ano 12 – Vol. 08 – N. 44/2024

Amanheci com a notícia da morte de Tito Soares. Seu Tito, assim o chamava no começo da frequência de sua casa na Rua do Passeio. Com o tempo, apenas Tito ou “Titão”. 

Fui colega de seus filhos Fernando e Oswaldo (Deco) no Colégio Batista, mas a amizade com Titinho, Cláudio, Pedro Paulo e Fábio foi uma consequência. Tempos memoráveis.

Com o passar dos anos, já advogado, dele recebi inúmeras lições mas, também, apresentei uma contribuição que até hoje tem sido usada: a primeira escritura pública de divórcio feito em cartório em São Luís. 

Lembro que à época, ao consultá-lo, a resposta foi: Nunca fizemos, mas sendo filho de quem tu és se preparares eu confio. 

Muitos foram os bons papos na porta do cartório quando nos encontrávamos ele, papai e eu. Muitas distinções me foram reservadas por ele e pelo seu fiel escudeiro Viegas, pessoa de minha estima pessoal. Hoje eles se reencontram no céu. 

Poderia falar muita coisa sobre Tito, porque me viu crescer e, à época, com dona Lucy, sempre me deram muita atenção e carinho. Mas tenho na memória uma eterna gratidão por um gesto ímpar comigo.

Deu-me a mão quando estava em dificuldades de moradia. Apenas por um contrato verbal (ele na estrada aceitou a proposta) simplesmente dizendo: considere seu o apartamento. Um gesto impagável. 

Como escrivão foi dos mais corretos que já conheci. Como homem um exemplo para os filhos. Como marido um apaixonado eterno. 

Hoje o dia amanheceu triste pela partida dessa figura humana ímpar. Mas hoje, para ele, certamente, é um dia de reencontros. 

Que fique na memória de todos quantos o conheceram a alegria que teve em vida. A mim fica o privilégio de tê-lo conhecido e convivido. 

Fica a saudade e meu abraço em cada um dos filhos e familiares. 

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