Vol. 13 – N. 45 – novembro 2025
https://doi.org/10.5281/zenodo.17513448
Partir para sempre traz no homem o inevitável questionamento: Partir para onde?
Aos que creem o destino é sabido porque desde a conversão o diálogo mantido se tornará encontro definitivo. Crendo, ou não, o mistério transita entre verdades, versões e hipocrisias. Uma coisa, porém, é certa. A linha da vida traçada está sempre a nos pregar surpresas porque o lápis e a borracha não estão em nossas mãos.
Nesse ofício apaixonante que é ser professor conheci um jovem, empedernido na militância estudantil e política, a quem apresentei razões para que fizesse uma escolha: ou estudar Direito direito ou exercer a prática política dedicada.
De fato não o demovi da prática política, mas ao apresentar-lhe a obra de José Afonso da Silva se deixou seduzir e assim seguiu até final do curso, quando me convidou para ser seu orientador da monografia, mais conhecida como TCC. Tratou de Direito Agrário na dimensão constitucional enfrentando as injustiças do campo. Alcançou nota máxima na sua defesa.
Mais tarde, como outros de sua turma, ingressou na UFMA para ser colega de magistério.
Portanto, há, particularmente em mim, razões impactantes, de forma dolorida, causadas pelo anúncio da morte do ex aluno e já colega Dimas Salustiano da Silva.
Lembro do nosso último encontro. Estava com os filhos no Shopping Tropical e fez o que sempre fazia quando me apresentava a alguém dizendo:
“Este é meu grande mestre. Foi meu orientador e responsável pelo Direito Constitucional. Uma referência. Um baluarte”.
Sempre sorri porque amigos podem cometer exageros. Mas ex alunos que nos significam em suas vidas e guardam lembranças são os que possuem dignidade para compreender que discordar ideologicamente não significa desprezar o que cada pessoa representa em sua vida.
Em sua turma há muitos valores. Mas valorosos como Dimas, pelo carinho que a mim reservava, escasso é o conjunto, embora saiba que a simplicidade não seja matéria prima para quem não crê no que fala. E magistério não é apenas compromisso, mas, sobretudo, comprometimento.
Chegamos ao penúltimo mês do ano e perdemos o segundo professor jovem no centenário Curso de Direito. Mais um registro dolorido, embora feito com a certeza de que sua contribuição estará nos anais do nosso curso, como estarão aqueles que tenham o discernimento que conviver com a compreensão de que somos seres diversos, diferentes, compostos por matéria, mas alimentados por ética e dignidade. Só podemos distribuir o que nutrimos.
Colho a partida de Dimas para reforçar a compreensão de que a vida é permissão do Criador. ELE mantém o lápis e a borracha nas mãos e nos põe em cenários para que aprendamos que o curso de cada um de nós é definido por ELE. Se bem caminhamos, deixamos memórias; se titubeamos, deixamos vagas lembranças.
Eu, como Professor Decano de Direito Constitucional do Curso de Direito da UFMA, penso reproduzir com sinceridade o sentimento de que a partida de Dimas nos deixa de corações partidos.
Todos nós que cremos rogamos a Deus que o colega Dimas entre em uma nova sala de aula para aprender lições que um dia a todos nós serão ensinadas.
Siga em paz, caro professor. Deus o receba na paz e conforte toda a sua família.