40 ANOS DEPOIS

Ano 13 – vol. 11 – n. 101/2025

https://doi.org/10.5281/zenodo.17522752

Hoje amanheci nostálgico por tantas vitórias que a vida me proporcionou.

Hoje completo 40 anos de ensino no Curso de Direito da Universidade Federal do Maranhão onde ingressei por concurso público.

Lembro daquele dia 4 de novembro de 1985 quando tomei posse como professor, com a certeza de que, ao ser admitido como Assistente Administrativo anos antes – tudo começou em 16 de setembro de 1976 – minha vida estaria irremediavelmente ligada à UFMA, mas como professor, profissão com a qual sempre sonhei.

Hoje, como Professor Titular de Direito Constitucional não me invade a pretensão do ignorante, incapaz de perceber que o aprendizado é contínuo e que o conhecimento foi feito para ser transmitido, pois pouco importa que um sábio se cale e leve ao túmulo o que não repartiu.

Por isso tenho orgulho de afirmar que fui um professor a quem o titular da disciplina convidou para suceder-lhe na tarefa de lecionar Direito Constitucional, meu sempre lembrado mestre, o Professor Catedrático José Ricardo Aroso Mendes.

Sinto que muito há, ainda, a transmitir, mas sobretudo a aprender, porque ensinar Direito Constitucional em um país onde a Constituição Cívica que proponho ainda é uma quimera, pela falta de sentimento constitucional, exige mais do que ministrar aulas – é preciso ter comprometimento, mais do que compromisso.

O professor que sempre quiz ser emana de pai, avô, tias, enfim, de família onde a sala de aula sempre foi o universo antecedido só pela igreja e pela família, a despeito de tudo e de todas as intempéries que a vida nos põe a enfrentar.

Se hoje leio, escrevo, leciono, é porque tive professores que me ensinaram a ensinar, mantendo viva a chama da curiosidade que anima o saber, impondo-me, sempre e eternamente, o dever de gratidão. Saibam que em mim, nesses 40 anos, caminha um pouco de cada um de vocês.

Se hoje tenho a graça de completar 40 anos como professor muito mais tenho ao ver ex-alunos brilhando, alguns creditando a mim suas vitórias, registros de agradecimentos e memórias das provas orais. A todos agradeço e bem sei que seus corações são generosos.

Se hoje aqui estou como professor é porque tive o suporte de tantos servidores do quadro administrativo do Departamento de Direito e dos demais Órgãos administrativos da UFMA. Poupo de nomina-los, embora merecessem, mas meu coração a todos abriga num patamar único.

Hoje, como nesses 40 anos, estarei em sala de aula, com o mesmo frio na barriga de 40 anos atrás, tentando convencer jovens sedentos de que a Constituição da República, apesar dos homens e mulheres, é a única fonte capaz de legitimar o que deve ser o Estado Democrático de Direito.

Minha nostalgia de hoje é a memória acalentada de quem um dia foi desafiado a estudar, foi cedo forçado a trabalhar e constituir família e trazer ao mundo minhas joias mais raras – meus filhos.

40 anos depois vejo que não é tempo demais; apenas não consegui – e ninguém consegue – conjugar o verbo SER no presente do indicativo na primeira pessoa do singular. Mas ainda dá tempo, se Deus me der tempo, para prosseguir na jornada com a mesma paixão de quem se comprometeu a mudar o mundo pela educação através da mais bela profissão: professor. Se não fosse ela, caros leitores, vocês não estariam lendo esta declaração nostálgica.

Minha eterna e profunda gratidão. A Deus, a minha família e à UFMA, por tanto e por tudo.

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