O PRESENTE DE NATAL

Ano 11 – vol. 12 – n. 78/2023

Nem todos tem um Papai Noel para chamar de seu. Mas todos tem o maior dos presentes.

Há os que dizem que nunca existiu. Há os que dizem que é invenção de uma ultrapassada crença judaico-cristã que precisa ser destruída. Há os que deliram imaginando que ele poderia ter sido o propulsor de um tipo de conduta que justificaria (nessas mentes) a projeção em proporções abissais da miséria, distribuída como se isso traduzisse justiça. 

Mas o tempo, que revigora a reflexão, insiste em me trazer à mente a indagação que academicamente me acompanha e, certamente, a muitos outros.

Como eu posso negar a existência de alguém ou de algo que eu proclamo inexistente, com a imaginária segurança de quem teria o dom da ubiquidade? Falta lógica, aristotélica, inclusive. 

A síntese, sem contrapontos de tese e antítese, soa como delírio, porque primeiro há de haver a admissão da categoria para que seu oposto seja contraposto, não a meu gosto, mas à conclusão lógica. 

É claro que a resposta não está na Lógica. Há gente que usa barba, se veste de vermelho, estampa uma estrela no gorro e nem por isso é um bom velhinho. Não demanda grande esforço buscar.

Uma pitada de honestidade, com caldo de moralidade, refogado com bastante responsabilidade, e o compromisso de um bom chefe, já nos daria um belo prato de sopa, capaz de se multiplicar entre muitos, não por ser um milagre, mas porque não serviria a uma mesa só. 

Como disse, nem todos tem um papai Noel para chamar de seu. Mas tem um PAI para chamar de nosso quando invocado e clamada a sua ajuda.

Eu também não tenho um papai Noel para chamar de meu, a me surpreender com um trenzinho amarelo ao lado da cama. Mas tenho o que me basta e por isso sou grato, sempre.

Sem gorro, mas com estrela do anúncio, na simplicidade do que a perseguição impôs, ELE veio ao mundo para dar a vida e redimir os homens do pecado. Meu PAI, envolto em trapos, fez de mim um filho que se alegra a cada comemoração. Você também pode ter esse privilégio sendo cristão, porque ELE não se fantasia para a festa. ELE é o presente. 

Feliz Natal.