Ano 07 – Vol. 04 – n. 03/2019
Eu sou neto de um grande artista.
Para os mais jovens, que não me conhecem e gostam de mim (e mesmo para os que me odeiam sem me conhecer) preciso esclarecer porque começo este texto dizendo que sou neto de um grande artista.
Newton Pavão, professor de muitos artistas que ainda estão aí, ou inspirador de tantos outros, pintou o céu mais bonito de São Luís. Eu tenho esta afirmação como absoluta. Pesquisem e verão que foi o pintor (embora já na década de 1940 tenha concebido até carros alegóricos para carnavais) que mais reproduziu em telas a cidade de São Luís, merecendo que o seu busto – que se encontra no museus das artes – sirva de modelo para um de bronze que deveria estar no Panteon da Praça.
Pois bem, embora tenha herdado do meu avô um pequeno conhecimento de violão, não herdei o talento para o desenho e a pintura, coisa que ficou com um irmão e um dos meus filhos.
Talvez aí esteja minha dificuldade. Não consigo desenhar ideias, e quando recorro ao texto, busco ser o mais claro e usar o mínimo possível da linguagem jurídica, a menos que seja necessária. Ela embrutece de certo modo.
Mas o que isto teria a ver com o que escrevo hoje?
Bom, é que existem leitores que ou não têm a capacidade de ler ou interpretar – e aí minha recomendação é a leitura e a matrícula em um bom curso de interpretação de textos – ou vestem a armadura da má fé, em tempos em que a “idiotização” das ideias parece sobejar.
Não sou daquele que antes de iniciar uma palestra me dirijo a “todos” e a “todas”, porque sempre falo para o gênero humano. Aprendi no Colégio Batista “Daniel de
La Touche” que “todo” é pronome indefinido (ou qualificador universal, como falam os dicionários portugueses) e, portanto, usa-se para homem e mulher.
Assim sendo, buscar em afirmações descontextualizadas orações que subvertam argumentos demonstra que o processo ideológico já inundou o discurso. Por isso é necessário que se tenha em mente que ou se lê um texto partindo do pressuposto central dele, ou demonstraremos que não o compreendemos, senão perifericamente.
Mas como eu disse, sou neto de um grande artista, mas não sei desenhar. Então, acho que vou continuar me deparando com essas incompreensões que me rememoram uma das maiores lições que já recebi de meu pai:
“Existem pessoas para as quais é mais fácil justificar o absurdo do que explicar o óbvio”.
Confesso que não sei desenhar. Mas constato que há muita gente que não sabe ler.