Ano 07 – vol. 12 – n. 27/2019
Naquela mesa está faltando gente. Não qualquer tipo de gente, mas uma gente especial.
Nessa época do ano, além da beleza que é comemorar o nascimento do Menino Jesus, há um tipo estranho de dor que arde no peito, mas não há analgésico possível de aplacar.
Olho a cabeceira e falta ele. Olho o lado direito, falta ela. Olho todos os outros lugares, mas também eles não estão presentes.
O tempo passou. Já não se trata mais do trem amarelo, ou do soldadinho de chumbo, ou da bola. Nada disso importa agora. O tempo passou simplesmente.
Abri uma caixa antiga e deparei-me com fotos antigas. É incrível como nelas o tempo foi congelado, momentos que nossa memória tornou líquidos mas que retornam com olhar embaçado pela lágrima. Era tudo lindo, mesmo quando Papai Noel desapareceu da imaginação.
Há muitos, eu sei, que não tem uma mesa, como há os que a tendo, nada há que sobre ela possam por. É quando constato que sempre tive mesa repleta e devo agradecer a Deus por isto.
O Natal tem dessas contradições. Há mesas e não há comida. Há comida e mesa, mas faltam pessoas. Não há comida e nem mesa e nem eles.
Hoje minha mesa se resume a uma cabeceira. Nela estou eu, mas logo me lembro que meu Criador sempre está comigo, sem que precise de cabeceira.
Que Ele possa estar na vida de cada um, como prova viva de que Ele É a própria mesa.
Um Feliz Natal.