É A QUESTÃO

Ano 07 – vol. 12 – n. 25/2019

Assistindo a um telejornal local constato que a pobreza vocabular se apresenta no mal hábito do momento. Em tudo é colocada a locução “é a questão”.

O assunto pode não ter questão alguma, mas é só alguém abrir a boca e “a questão” aparece.

Talvez um pouco de bom senso e cautela faça as pessoas compreender (sobretudo os Ludovicenses) que aqui, antes de ser a Ilha do Amor, a ilha rebelde ou a Jamaica brasileira foi, um dia a Athenas brasileira. Hoje é apenas.

Há os que traduzem o fenômeno como a riqueza da autenticidade que a língua falada é capaz de produzir, nada importando em erro. Mas aí já está contido um grave erro: achar que o pensamento contrário é sempre enviesado.

É óbvio que cada um fala como desejar. Já ouvi (bem mais de uma vez) dizerem que “esses pessoal são horríve”. Bom, mas isto é uma outra forma de falar. Na língua há os que se divorciaram do plural ou são inimigos mortais da concordância verbal e nominal. Fazer o quê?!

Bom, eu continuo assistindo o telejornal enquanto escrevo e entrevistados continuam a dizer que “a questão” existe. Pelo visto é bem séria. Tenho medo de “a questão” ser substituída pela “incógnita”, assim como um dia existiu “a questão” “a nível de”.

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