Ano 10 – vol. 03 – n. 16/2022
Todos nós que temos compreensão do que seja uma educação familiar lembramos bem dos conselhos ouvidos. Falo de educação porque a escola instrui – ou instruía o básico – enquanto a família educa.
Não precisa ser sábio. O bom senso é próprio aàs pessoas prudentes e cautelosas, por isso mesmo não necessitando ser instruído pela escola para ter o comportamento comedido. A vida ensina, por bem ou por mal.
Dizia meu pai que há pessoas que apodrecem sem conseguir amadurecer. O Brasil, que nunca foi historicamente um exemplo de democracia estável, atravessou um período em que as liberdades foram suprimidas pela ruptura institucional, através das armas, se depara com um novo período semelhante, agora pela obra da caneta, não mais a Parker ou a Cross que caíram em desuso. A Montblanc reina desde o governo Collor.
O autoritarismo é mesmo assim. Ele está no homem (sem distinção de gênero) como uma chaga incurável. Aliás, disso nos da notícia Maquiavel: Dê poder ao homem e descobrirá quem realmente ele é.
Todos nós estamos vendo a força da Montblanc quando o assunto é o ativismo judicial no STF. Já não é a primeira vez e enquanto o Congresso Nacional não acordar para suas atribuições constitucionais a sanha prosseguirá.
Ninguém, em sã consciência, pode defender a impunidade. Mas é preciso que haja coerência para que a autoridade, dando o exemplo, se faça respeitar. Como digo, autoridade é para ser respeitada, jamais temida.
Mas no Brasil a impressão que a autoridade passa é de que deseja ser temida, o que é um retrocesso inaceitável. Até a imprensa tradicional (vejam só) passou a defender a censura confundindo seus interesses pessoais e comerciais em detrimento da liberdade geral.
Imaginem quantas pessoas foram violentadas com essa decisão que impõe efeitos gravosos a quem cumpre suas obrigações e deveres só pelo uso de um mecanismo de comunicação? Não precisa explicar. É o ato mais próximo do AI-5 que já se viu na história após a CRFB de 1988.
Não sei como será o nosso amanhã. A classe política vem demonstrando a sua inércia com um silêncio ensurdecedor. Tomara que não se faça sentir desnecessária porque aí tudo estará perdido. E olha que nem se precisará de aventureiros. Eles estão aí soltos, impunes e ameaçadores.
Enquanto a Montblanc não for alvo de uma reação da Parker ou Cross restantes (sendo econômico nas marcas) não sobrará nem a BIC para apor o ciente no mandado de prisão. O que será o amanhã?