O GATO GAGO E A ALMA MINÚSCULA

Ano 10 – vol. 04 – n 29/2022

Roda pelas redes sociais essa piada que da inspiração a uma parte deste breve escrito. Se eu gostasse de mi-mi-mi compraria um gato gago.

A segunda parte remete ao poeta lusitano: Sempre vale à pena, quando a alma não é pequena.

O gato, hoje, é a parte que remete às pessoas que em tudo vêem agressão, preconceito etc., claro, desde que sua manifestação não coincida com a ideia delas.

Quanto a Fernando Pessoa, bom, ele falou em alma pequena, não em alma minúscula, uma característica que tem se acentuado ultimamente, ou será que andava escondida?

Pelo sim, pelo não, tenho me defrontado com pessoas que se ajoelham perante ideias que são só opiniões, e elas se põem reféns das mesmas, como se fosse um dogma. Repetir mantras, que tudo podem ser, menos opinião despida de ideologia.

Há muitos anos atrás, no Recife, o saudoso Catedrático José de Moura Rocha, ao proceder à sua rigorosa, mas honesta e competentemente inquirição, me pôs em uma encruzilhada. Eu, recém graduado do Curso de Direito da UFMA já no Curso de Mestrado em Direito da tradicionalíssima FDR, sem mais argumentos, disse-lhe:

  • Mas professor, o professor José Carlos Barbosa Moreira afirma isso.

Com a calma que o caracterizava e o desafio lançado que (só depois) compreendi que se tratava de um estímulo, me respondeu:

  • E eu com isso?

Desde então não me seduzem a quantidade de livros que alguns autores publicam, a multiplicidade contorcionista de opiniões lançadas e os eventos a que alguns se fazem presentes. Sabem o que me seduz? Pois respondo: a coerência de saber separar, por exemplo, ciência de ideologia.

Pelo mundo de Meu Deus caminham pessoas de toda ordem. Umas são gatos gagos. Outras são de almas minúsculas.

É preciso saber discordar com objetividade, não com grosseria. Mas acima de tudo, é preciso que valha a pena, mesmo com a alma pequena, embora jamais valha, para quem tenha a alma minúscula.

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