Ano 10 – vol. 05 – n. 35/2022
O noticiário em geral produz mais um capítulo do funeral do jornalismo tradicional do Brasil. É dolorido, eu sei, mas é fato: o glamour do crime organizado invadiu as redações sem bater na porta…apenas chegou e se instalou – eles amam e estimulam a bandidolatria.
Não tenho autoridade para avaliar com minúcias os acontecimentos da Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro. O Rio está distante, mas o crime organizado não. Está em todo o país, com destacados índices de incompetência nos estados do nordeste onde a “esquerda progressista” – embora analfabeta de pai e mãe -governa. Então, como agir?
O Supremo Tribunal Federal deu a sua contribuição. Acatou ação que pretendeu (e conseguiu) a proibição, durante o período de pandemia, por razões sanitárias, de operações policiais em morros, favelas e “comunidades”, como o jornalismo glamoroso e hipócrita costuma denominar. Esqueceu-se, contudo, de proteger o cidadão comum, impondo severa repressão ao crime organizado.
No que resultou? Bom, o tráfico de drogas e armas continuou e se expandiu, as milícias se armaram ainda mais com armamento pesado, municiaram-se até de fardamento militar, granadas e demais artefatos bélicos, desafiaram, à luz do dia, as forças de segurança pública e os confrontos entre o crime organizado prosseguiu, muito pelo desejo de expandir os domínios de milicianos. A população depende, do gás de cozinha à assinatura de tv a cabo, do fornecimento feito pela bandagem. O assunto já foi obra do cinema.
Fora do argumento vitimista usado pela mídia em geral bandido é bandido e polícia é polícia. Ou o leitor acha que os lados se armam com livros?
Mas qual teria sido o resultado prático da decisão judicial mencionada? Queiram ou não admitir o resultado é uma escolha feita pela conduta criminosa, uma vez que, ao proibir operações policiais a alternativa foi a concessão de uma espécie de “passaporte para a ilicitude”. Não incomodem os bandidos! Eles são vítimas da sociedade, coitados, os exploradores são os cidadãos que pagam impostos, não aqueles aos quais o crime organizado faz o delivery de pinos de coca ou trouxinhas de maconha.
Vamos ser claros. O crime organizado está vencendo a batalha e para que inocentes não morram ainda mais – os moradores dessas áreas de risco – é preciso reagir de modo a não tolerar condutas como as que acontecem agora. É preciso acabar com essa prática nefasta de demonizar as instituições de segurança, o que, na prática, nos retorna ao estádio de barbárie.
A elegia a bandidos e à bandidolatria é tamanha que jornalistas (ou seriam “jornazistas”?!) chegam a lamentar que policiais não tenham morrido no confronto, com requinte de apontar que civis mortos com balas perdidas sempre partem das armas das forças de segurança.
Passa da hora das autoridades (todas elas) serem responsabilizadas por concorrerem, em algum momento, para tragédias como essa. Sim, tragédias, não porque os bandidos sejam vítimas da sociedade, mas porque qualquer vida humana importa, ao contrário do que pensam (será?) esses militantes festivos que adoram o produto do tráfico.
Não dá mais conviver com uma situação dessas. As instituições do sistema de justiça estão corroídas. Cada agente público quer ser o revolucionário de uma causa perdida, como se, hoje, conseguisse implantar o que a história contemporânea provou empiricamente não ser possível, senão como fonte acentuada de miséria e opressão.
Há uma escolha a fazer. É preciso que a sociedade reaja a tudo isto. Ou o Estado retoma seu papel constitucional implantando, excepcionalmente, uma grande ação de combate a esses criminosos ou todos nós seremos reféns de psicopatas com armas nas mãos, enquanto os padrinhos dos bandidos ficarão guardados e nós outros subjugados pela força bruta do narcotráfico.
Tolerância zero com a bandidagem, seja ela qual for, inclusive a que usa gravata e de fala macia faz discursos desconexos da realidade. É preciso mudar o Brasil, antes que sejamos forçados a ser mais uma leva de migrantes à esmo pelo mundo.