O DRAMA E O CAOS

Ano 11 – vol. 06 – n. 34/2023 – http://doi.org/10.5281/zenodo.8319099

Como todo cidadão que tenha a mínima compreensão do valor da vida eu me indignei com a morte de um agente de trânsito de São Luís, no cumprimento do seu dever. 

As notícias a que tive acesso dão conta de que o jovem foi covardemente assassinado por um sujeito que confessou ter feito a execução, pelas costas. 

O drama da família é visível, irreparável e de justa indignação.

A vida que foi brutalmente interrompida tem como ser homenageada, desde que as autoridades observem o que há de errado em suas atribuições ou na falta de atenção a elas. 

A primeira observação que considero não é a existência da arma de fogo, mas nas mãos de quem estava. Estivesse em mãos da autoridade de trânsito e o jovem agente provavelmente não teria sido assassinado. 

A segunda observação que faço é que operação repressiva de trânsito deveria ser executada, sempre, com o apoio da PMMA. Sim, há uma sinalização da disciplina que por todos deve ser observada, afinal, a orientação previamente dada, quando não obedecida, deve ser reprimida indistintamente. 

Portanto, as autoridades municipais e estaduais precisam se reunir urgentemente. 

A terceira consideração que faço é que São Luís está um caos no trânsito em pontos de fácil identificação. A má educação contribui, mas a autoridade quando se faz ausente, concorre para isto. É necessário dar condições operacionais aos agentes de trânsito e pô-los nesses pontos estratégicos de forma urgente.

A quarta observação a considerar é um pente fino em autoescolas. Não é possível que não seja ensinado na condução de veículos que a seta (ou sinaleira) é de uso obrigatório em qualquer mudança de direção. Do mesmo modo, é indispensável que haja uma rigorosa fiscalização na condução de motocicletas que se tornaram uma ameaça engatilhada. Velocidade excessiva, zig-zags no trânsito, ultrapassagens pela mão direita etc.

A quarta consideração é que é indispensável o plantão em pontos de avenidas de grande fluxo, o que poderia ser instalado em guaritas ou tendas conjugadas com a PMMA. Quem é visto é lembrado, portanto, é necessário que as autoridades estejam nas ruas.

A quinta, mas não última consideração que destaco, é aquela que tem se constituído como a regra em São Luís. Há uma inegável volúpia arrecadatória. Ou a civilização chega aqui ou continuaremos a ser um punhado de gente se digladiando no trânsito como gladiadores em arenas romanas, enquanto o tilintar das moedas é apenas o que interessa.

Como se vê, um jovem teve sua vida violentamente interrompida quando cumpria seu dever. À sua família eu deixo a minha solidariedade. Às autoridades eu deixo este registro e a expectativa de que algo seja feito urgentemente para humanizar o trânsito, não apenas na “semana do trânsito”, campanha de duvidosa utilidade.

A morte não apaga a vida, mas a memória pode perpetuá-la. Que seja esta uma homenagem ao agente de trânsito que partiu cumprindo o seu dever. Seja ele um exemplo aos que estão de braços cruzados.

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