Ano 11, vol. 11, n. 69/2023
Meu avô paterno, José Santana, lá do Piauí, confidenciou meu pai, costumava dizer que todo homem deveria ter um ofício e uma profissão. O dia em que a profissão não desse não lhe faltaria o sustento com o ofício. Lembrei desse relato hoje.
Neste dia 4 de novembro de 2023 completei 38 anos como professor da Universidade Federal do Maranhão. Parece que tudo começou ontem, mas o tempo não se acomoda e, inquieto, insiste em passar.
Tenho a grata satisfação de exercer o ofício que mais me encanta. Mesmo a advocacia, privada, no início da carreira – advogado ainda sou, pois inscrito na OAB – depois a advocacia pública, como procurador do estado – já aposentado após 35 anos – hoje vivo exclusivamente como professor universitário.
Não posso me queixar da profissão mas o ofício, ah! esse ofício, é a grande realização para quem tem compromisso com o conhecimento.
Muitas figuras poderiam ser lembradas nesta data porque deles e delas eu recebi ensinamentos, ricos e valiosos. A começar pelo professor de casa. Como costumo dizer, carrego um pouco de cada um em mim, porque as pessoas que passam por nós deixam suas marcas: as boas, já que as más elas carregam consigo, não as carrego e nem as cultivo.
Lembro que ao sair da graduação lá estava eu já querendo ingressar na carreira do magistério, mas logo me submeti à prova do mestrado no Recife. De lá para cá foram o doutorado em São Paulo, o pós-doutorado em Coimbra e uma incessante vontade de aprender.
Costumo lembrar uma frase de Gilberto Freyre que a mim traduz bem a vida de um professor, embora sirva a qualquer ofício: “Um homem chega a ser um mestre, quando descobre que é um eterno aprendiz”.
Tenho muito a aprender, e mais ainda a agradecer, mas meu coração sabe bem a quem. Continuarei caminhando nessa estrada do conhecimento. Deus sabe até quando, só ELE sabe porquê.
Uma coisa, porém, devo confessar: Foi no ofício que encontrei minha grande realização pessoal. Acho que meu avô tinha razão, embora a mim nada tenha faltado. Por isso, só há a agradecer.
Uma vez mais, obrigado, Meu Deus.