Ano 11 – vol. 11 – n. 70/2023
O mundo anda doente. Muito doente. O Brasil, então, nem se fala. Está na UTI.
Como não se indignar com os parâmetros utilizados neste país para mensurar condutas? Explico.
Anos atrás, em uma certa data cívica, apareceram alguns estultos para defender a volta do AI5 em passeatas.
A estupidez, que já era numérica – sim, um ato do passado era numerado e sequencial – também era inconstitucional – pois não foi recepcionado pela Constituição – além do que desproporcional a tudo o que se possa imaginar, ou ao menos ao que se poderia naquela época.
Lembro que a indignação foi geral, servindo, inclusive, como motivação de investigação em processos e procedimentos que se arrastam.
Bom, quando imaginei que as condenações absurdas feitas pelo STF, em desatenção a todos os atos de direitos humanos de que é signatária a República Federativa do Brasil, e à própria Constituição e às leis fosse o fundo do poço, eis que descubro que o poço não tem fundo.
A insanidade tomou conta de tudo e de quase todos.
Se antes falar em Ato Institucional incomodava, hoje ao contrário, apoiar publicamente e participar de passeata em defesa de criminosos que são genocidas confessos – eles querem acabar com o povo judeu – parece normal até àquelas autoridades que tudo censuravam e sobre quase tudo comentavam.
É ensurdecedor o silêncio das instituições sobre autoridades constituídas defenderem publicamente grupos terroristas sem sofrerem qualquer punição.
A banalidade do mal ressurgiu.
Quando Hanna Arend escreveu a obra Eichmann em Jerusalém, que já é um clássico de serventia difusa, propôs que em vista da massificação da sociedade foi gerada uma espécie de incapacidade de julgamentos morais, o que levava – e continua a levar – pessoas à prática de atos pela cega obediência a ordens que sequer compreendiam e muito menos discutiam.
Não se deixem enganar. As ordens hoje são dadas por pautas de um jornalismo espúrio e vendável, usurpador da verdade na tessitura de versões que seguem um manual global, até há bem pouco tempo tido como teoria da conspiração.
Sem as fardas e sem os fornos do passado. Eles queimaram crianças em fornos micro-ondas. Eles trucidaram mulheres grávidas. Eles executaram idosos. Eles sequestraram e mantém reféns judeus. Eles usam seu próprio povo como escudo humano.
E o que fazem os insanos? Vão para a Paulista bater tambores sem o mínimo de percepção humanista. Muitos desses estariam executados pela opção sexual, pela raça ou pela crença em um estado islâmico radical.
Para piorar as coisas há quem fale em direito de defesa do povo palestino. Não há povo palestino nesse genocídio. Há selvagens ensandecidos que merecem uma lição definitiva. Como disse nosso atual presidente: “Essa gente precisa ser exterminada”.
O povo palestino nada tem a ver com isto. Todos são reféns do medo da violência do grupo terrorista e vivem subjugados. Precisam de solidariedade humana, mas sem essa máquina de matar chamada Hamas.
No Brasil, já que a vergonha tinha sido pouca, causada por uma “artista” que do Hino Nacional sequer conhece a primeira estrofe, tornou-se ainda mais patética, ao ser veiculado pela mídia, com sinais de apaixonadas narrativas, um desfile em que cópias de Adofl Hitler, Joseph Goebbels, Hermann Göring, e os carrascos que se autoproclamam religiosos de um “Evangelho” próprio, resolveram, revolucionariamente, em marcha pela Avenida Paulista, tocar tambor.
Todos eles precisam e podem ser identificados, pelo que fizeram, na cara de todas as instituições do Brasil: Apologia ao genocídio do povo judeu, ao defenderem o Hamas. São atos contra os direitos humanos. São atos contra tratados internacionais. São atos contra a Constituição. São atos contra as leis. São atos contra todas as normas religiosas e morais vigentes entre gente civilizada.
O que dirão as autoridades? O silêncio não é um bom sinal. Ele foi arma dos covardes que contribuíram para a proposta da solução final. A omissão não é só desumana. Ela é a confissão de cumplicidade. Ela não passa de uma espécie de reedição da banalidade do mal.