O MANICÔMIO DA CASA VERDE

Ano 12 – vol. 01 – n. 01/2024

https://doi.org/10.5281/zenodo.10497866

O ano de 2024 mal começou e eu já me fiz a indagação: Será que Machado de Assis tinha – além da notável capacidade de redação e inteligência ímpar – o dom de adivinhar? Talvez! Afinal, o que seria a Casa Verde em que o Dr. Simão Bacamarte – O Alienista – confinava os presumivelmente loucos senão o próprio Brasil de hoje? Pelo sim, pelo não, eu credito mais essa qualidade ao Bruxo do Cosme Velho.

Há os que preferem afirmar que o Brasil não é para amadores. Sendo ou não, antes mesmo que o primeiro mês do novo ano termine e nós já constatamos que um gabinete do ódio existe – rebatizado de amor – e que, sim, existem, milícias digitais, nesse caso, capazes de tripudiar com fatos inexistentes que conduziram ao suicídio de uma jovem. E não são sítios de fofocas, como pretendem fazer transparecer alguns. São Fakenews mesmo, com especulação de interferência no último pleito eleitoral. Mas não é tudo.

Também tivemos notícia de que houve ameaça de sequestro e enforcamento de um ministro do STF – pessoalmente denunciou, embora um ano após, em entrevista jornalística – sem que a Comissão Parlamentar de Inquérito sobre os fatos que ocorreram no 8 de janeiro de 2023 – salvo se for alguma revelação posta em sigilo – tenha feito qualquer registro sobre o suposto fato. Mas calma! Ainda há mais.

Houve a ameaça de um ministro contra o Congresso Nacional de que se houver rejeição de medida provisória ele submeterá o assunto ao STF, afinal, o povo é apenas um detalhe e ganhar eleição é diferente de tomar o poder, como já pontuou um ex-ministro.

E o que dizer da acusação – grave e sem prova – do presidente que foi posto na cadeira – de que o ex-presidente, o governador do DF, o exército e a polícia planejaram um golpe? No caso, o próprio Ministro da Defesa já desmentiu toda essa caricatura do “golpe de Itararé”. Mas as autoridades acusadas estão mudas.

Foi noticiado, também, haver um padre que não deseja ver investigada a situação que envolve a cracolândia, um gueto pior do que o de Varsóvia, como, com segurança e clareza esclareceu o vereador proponente da CPI.

Não me refiro às notícias de pedofilia que chegaram a ser mencionadas, no passado, pela mídia, quando o sacerdote admitiu sofrer chantagens. Há, ao que parece, uma indústria de ONGS que recebem financiamento público para entregar comida e cachimbos, seringas e demais apetrechos que levarão, certamente, a um interminável círculo de tráfico, dependência, financiamento, sem que se fale em tratamento e cura.

Para falar a verdade, quando vejo essa turma que acusava o governo passado da prática de tudo o que hoje está fazendo tenho certeza: há o que esconder. Foi assim na própria CPI da pandemia, lembram? Foi assim na CPI do 8 de janeiro. Tem sido assim em tudo o que nós nos deparamos no atual governo: perdulário, incompetente, ineficiente e que conduz, a passos largos, e com a cumplicidade do parlamento – pelo menos dos seus dirigentes – ao abismo. Mas, como diria aquela “comentarista”, é tudo para seu bem.

Como na Casa Verde sobejem exemplos eu não poderia reunir, aqui, tudo o que ocorreu. Apenas posso pedir ao leitor calma, porque muito ainda há por vir. Mas há coisas que não mudam nunca, como o silêncio cúmplice da imprensa tradicional e a omissão dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A história os cobrará.

A Casa Verde nos põe indignados porque sabemos que o país está entregue não a loucos, mas a espertos que o transformaram num manicômio.

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