LETRAS E LIXO

Ano 12 – vol. 01 – n. 02/2024

https://doi.org/10.5281/zenodo.10933199

Impressionante a transformação por que passou o mundo civilizado. O declínio é inegável diante dos acontecimentos que se vê no quotidiano. E a banalidade parece ser algo indiferente a tantos que o absurdo soa com normalidade.

Embora não se trate de saudosismo, mas não há como não lembrar dos tempos em que a imprensa cumpria seu dever de informar. Qual dever? Bom, que se indague primeiro à ética hoje ignorada sem qualquer pudor. Era assim que funcionava.

Hoje as versões ganham destaques como se fatos fossem, distorcidas pelo produto da Academia, que preferiu transmitir mantras de militância, ao invés de ensinar. Militantes de hoje são os que há um tempo atrás eram chamados de jornalistas. 

No passado, ainda quando houvesse um alinhamento pessoal, os profissionais das letras tinham o pudor de limitar seus impulsos sem desvirtuar os acontecimentos. Hoje vale de tudo. De se embrulhar nos lençóis, sem esconder confidências, a receber um “agrado” em cifrões; e tudo é permitido, como se tudo fosse moralmente lícito.

Por mais que essa sanha caminhe com o propósito claro de reescrever a história não há como ressignificar categorias que sempre significarão suas concepções originais. Desonesto sempre será desonesto. Condenado sempre será condenado, ainda que, cumprida a pena, a seu favor terá apenas o fato de não lhe serem somados aos registros penais os acontecimentos anteriores. Mas fora do campo jurídico a condenação persistirá na memória. 

O Brasil tem se notabilizado por se apresentar nanico perante a comunidade internacional, sem que possa dar qualquer exemplo, porque optou por adotar a briga com os fatos que são indeléveis, não importando o preço pago à mídia, composta pelos malabaristas morais que a tudo pretendem justificar.

Mas a história cobra um preço caro, debitando com juros o capital de quem ousa subverter acontecimentos, porque mais cedo ou mais tarde eles serão revelados, descobertos, enfim, sabidos.

Pobre país. As gerações que virão não terão referencial qualquer. Persistirão sendo os selvagens formados pela dissociação de ideias tão sólidas quanto as bolhas de sabão. 

O que há de mais grave em todo este cenário não é que não tenhamos instituições. O grave mesmo é que os homens, nos três Poderes, se põem acima delas, sem cumprir as regras mínimas das nações civilizadas: a Constituição. Quem deveria denunciar se cala, ou se omite, a troco do régio e pomposo pagamento, que traduz bem a cumplicidade em direção ao abismo para o qual caminhamos, porque os homens de letras passaram a produzir apenas lixo. 

Imagino, à noite, quando esses homens e mulheres põem suas cabeças nos travesseiros. Acaso se arrependem de escrever e falar o que absolutamente contraria os fatos? Ou terão perdido o juízo a ponto de avaliar o ridículo? Não sei, mas imagino que no escuro do quarto os travesseiros estejam molhados.

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