Ano 12 – Vol. 10 – N. 55/2024
Eu poderia falar que o papel em branco aceita tudo.
Ou dizer que o papel em branco dá voz ao mudo.
Poderia dizer que o papel amarelado contém tudo.
Ou afirmar que o papel empoeirado ficou sujo.
Prefiro falar da mancha
Do borrado que ficou
Da subtração de enunciados
Da censura e dos forçados
Da desventura dos amados
Da arrogância dos tarados
Da subversão dos encantados.
E por que não calo?
Porque foi dita cidadã
Que havia nojo dos golpes
Que se trairia a pátria
Que se vilipendiaria
Que se a ultrajaria
Quem a ela não obedecesse.
E, no entanto,
Vivo esses dias em pranto
Ao repetir estes versos
Mesmo não sendo poeta
Senti-me um pouco profeta:
A CONSTITUIÇÃO
Essa mulher bem vestida,
Com trejeitos de mocinha,
Tem as pernas tão abertas,
Que todos vêem a calcinha.
Muitos querem dela usar
Como se fosse a Geni.
Abusam lá no Planalto,
Não ficam longe os daqui.
Mesmo sofrendo a coitada,
Sinto a dor do coração!
Não é mulher mal amada,
É a nossa Constituição!
Poema do dia 10/06/2010