Ano 13 – vol. 02 – n. 10/2025
https://doi.org/10.5281/zenodo.14825901
Revolvendo o passado a memória me remete ao Rio de São João onde passei boa parte de minha infância subindo em árvores, colhendo frutas, inventando brinquedos, pegando bicho de pé. Aliás, foi lá onde minha foto de infância tirada pelo meu pai em sua Roliflex, nu e segurando a alavanca de uma bomba que puxava água do poço, adornava a cada de meus pais ao lado das fotos dos meus irmãos.
O sítio de meu avô Pavão foi por onde vi passar patrulhas do exército em busca de comunistas. Para mim o alerta era que se não me comportasse eles me levariam.
Foi lá que vi, pela primeira vez, um pacote de leite dessa entidade que ganhou as manchetes no Brasil e no mundo (a USAID[1]) pelas denúncias feitas por mr. Michael Benz[2]. Era o programa muito conhecido com o slogan “Aliança para o Progresso” que a todos fazia curiosos e admirados pela potência americana.
Muito a propósito é bom esclarecer que AID, por si, se traduz como socorro, portanto, um substantivo que se tornou próprio quando o Bandaid invadiu as nossas vidas como curativo revolucionário. Ninguém mais buscava esparadrapo e gaze se podia usar o Bandaid que ganhou cores e formatos à disposição em supermercados e farmácias.
Mas vamos à AID que ganhou as manchetes.
A USAID é uma agência americana que foi criada em 1961 com propósitos humanitários e assistencialistas distribuindo ajuda das mais diversas naturezas envolvendo bilhões de dólares do contribuinte americano.
Não se duvide que entre a solidariedade inicial, com fortes doses de influência ideológica contra o comunismo[3], essa organização tem visíveis propósitos assistencialistas que ajudou muita gente pobre e faminta no mundo. Mas não se trata de discutir aqui seu papel, útil e necessário, em um mundo tão desigual. Trata-se, sim, de saber da subversão de sua instrumentalização como um mecanismo de interferência nos destinos de povos soberanos ou não.
É claro que a tentativa de influenciar regimes é uma prática de qualquer superpotência, sendo lícito, assim, que se observe no viés humanitário de uma agência desse porte utilidade e necessidade como instrumentos de solidariedade. Mas parece que a coisa degringolou no governo que encerrou seu ciclo nos Estados Unidos.
Assisti, ontem, à porta-voz da Casa Branca lendo uma breve lista de destinação de recursos da USAID para financiar eventos em que a diversidade sexual estava em destaque. É estarrecedor. Mas vi mais. Vi mr. Michael Benz fazer graves denúncias quanto a influências políticas, eleitorais e midiáticas no Brasil, fato tão grave que ontem mesmo (dia 05.02) foi iniciada a coleta de assinaturas na Câmara de Deputados para a instalação de uma CPI[4].
É claro que seria leviano neste momento atribuir responsabilidades falando de indícios como provas, forma habitual usada pela imprensa quando se opõe a pessoas que se opõem aos mantras dos programas de televisão. Mas indícios se graduam entre leves e fortes. Quando demonstrados, viram provas. Mas onde há fumaça há fogo.
Se reavivarmos a memória lembraremos que nos últimos anos a limitação de compra de álcool, a proibição do uso de determinados medicamentos, a imposição do uso de máscara, a obrigatoriedade de cartão de vacinação, a proibição de questionamentos de processos e procedimentos de pleitos eleitorais, a limitação e impedimentos impostos a candidatos e a eleitores, a proibição do uso de roupas com determinadas cores, a detenção desenfreada de pessoas, enfim, um apanágio de circunstâncias e fatos, inevitavelmente chegaremos a uma conclusão: mais do que um curativo o AID passou a ser um veneno porque erraram na dose e por não saberem e nem terem como responder os discursos nos Estados Unidos passaram à fala de desqualificação de mr. Elon Musk, porque o mesmo estaria a destruir a USAID sem ser detentor de mandato eletivo.
Pois bem, esse senhor já fez pela humanidade bem mais do que a classe política inteira. Descobriu que há algo de errado. Se não houvesse os empregados da organização não teriam resistido a prestar as informações necessárias para acesso ao acervo. Como se o sujeito que consegue dar marcha à ré em um foguete não conseguisse acesso a registros digitais!
Não sei se as denúncias que assisti ontem em relação ao nosso país se confirmarão. Uma coisa, porém, eu espero: que não sejam varridas para debaixo do tapete como foi feito pela CPI da pandemia que agora foi desmentida pelo Congresso dos Estados Unidos, não passando de um picadeiro em que fanfarrões, covardes, oportunistas e mal-educados agrediram pessoas que ousaram discordar do enredo da pantomima.
Um país à deriva, fruto da cumplicidade engravatada, onde a sinalização é de tragédia, mais uma ferida surge. Acho que dessa vez não será coberta por um Bandaid. Mexeram com a liberdade e isso é uma lesão que causa danos irreversíveis em toda uma nação que sangra.
Than’ks Elon pelo TRUTHAID!
[1] https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/entenda-o-que-e-a-usaid-agencia-que-pode-ser-fechada-pelo-governo-trump/?utm_source=chatgpt.com <Consulta em 06.02.2025>
[2] https://www.poder360.com.br/poder-congresso/bolsonaro-era-visto-como-trump-tropical-pela-usaid/?utm_source=chatgpt.com<Consulta em 06.02.2025>
[3] https://www.scielo.br/j/rbh/a/wjJXsMbDd4tYt344xJss8sn/?utm_source=chatgpt.com <Consulta em 06.02.2025>
[4] https://www.gazetadopovo.com.br/republica/deputados-articulam-cpi-para-investigar-se-usaid-interferiu-nas-eleicoes-brasileiras/?utm_source=chatgpt.com <Consulta em 06.02.2025>