A DEUSA E A VENDA

Ano 13 – vol. 05 – n. 39/2025

https://doi.org/10.5281/zenodo.15504743

A Deusa,

com sua venda

não se põe à venda. 

Se venda há

é para desvendar 

sem que se venda. 

Porque 

vender é esconder 

o que revelar deveria. 

A venda não foi feita para

rostos,

nem desgostos.

Feita foi para que a sedução

mundana

não se faça desumana. 

Mas se a Deusa se fizer promíscua 

em braços, 

ou abraços desmedidos,

eu, tu, ele e ela, 

todos,

estaremos perdidos. 

À venda podem se esconder rostos,

avolumar bolsos

até enclausurar em calabouços.

Venda não se presta

a ser mordaça,

em mãos desmedidas de comparsas.

Retire-se, então

a venda

quando se puser à venda.

Porque vendar verdades

é confessar mentiras

com obscenidades.

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