ADEUS, MESTRE PAULO DE BARROS CARVALHO: UM TRIBUTO À EXCELÊNCIA ACADÊMICA E HUMANA

Ano 13 – vol. 08 – n. 67/2025

https://doi.org/10.5281/zenodo.16883419

Fui impactado com o notícia da morte do Professor Catedrático Paulo de Barros Carvalho. A comunidade jurídica brasileira amanheceu mais pobre. Ficou em silêncio salas de aula, corredores universitários e escritórios de advocacia. Para quem teve o privilégio de conhecê-lo, não se tratava apenas de um expoente do Direito Tributário, mas de um homem que soube unir rigor intelectual, generosidade e uma rara capacidade de inspirar.

Conheci o professor Paulo na PUC-SP, durante meu doutorado. Sua presença era marcante: firme na exposição, mas acolhedor no trato. Recordo-me do exame escrito, seguido do intervalo de uma semana para a prova oral. Naquela expectativa que só a vida acadêmica proporciona, assisti a bancas de mestrado — uma delas presidida pelo próprio professor Paulo, onde a candidata obteve nota máxima.

Durante a defesa, o nome de Lourival Vilanova foi citado. Esse não era um detalhe qualquer: Lourival fora o grande inspirador da carreira acadêmica de Paulo Barros. Ao final, apresentei-me, revelando que havia sido aluno de Lourival no Recife. O mestre, sempre curioso e atento, quis saber tudo sobre essa experiência. Transformou aquele breve encontro num verdadeiro “pré-exame oral” — e, felizmente, não o decepcionei.

Paulo de Barros Carvalho não era apenas um erudito tributarista. Ele carregava consigo uma escola de pensamento, moldada por uma estrutura lógica impecável e por um profundo respeito à tradição teórica, sem deixar de abrir espaço para o novo.

Foram dois anos de convívio intenso, às terças e quintas-feiras, regados a breves, mas densos diálogos, embora não estivesse na minha grade disciplinar. Ao final, antes de retornar ao Maranhão, fui ao seu escritório para agradecer-lhe pela atenção e generosidade. O professor Paulo, fiel à sua postura de mentor, relembrou minha pesquisa, pois tratava de tema até então inédito na Academia de Direito, e cobrou que eu a transformasse em livro — exigência que cumpri com orgulho.

Nossos reencontros, anos depois, em eventos acadêmicoos, mantiveram a mesma cordialidade e respeito mútuo. Este ano, planejara revê-lo pessoalmente, numa visita a São Paulo. O destino, porém, não permitiu. Fica, então, a lembrança viva de um mestre que me reconhecia não apenas como seu ex-aluno, mas como o ex-aluno de Lourival Vilanova.

O professor Paulo era mais do que um nome nos manuais de Direito. Ele personificava o rigor metodológico, a clareza conceitual e a humildade de reconhecer-se, antes de tudo, como eterno aprendiz. Sua vida foi um tributo à docência e à advocacia, exercidas com igual paixão e competência.

Hoje, ao despedir-me dele, ecoa em minha memória uma de suas frases, dita com simplicidade e afeto:

“Você eu já conheço. Foi aluno do meu mestre Lourival Vilanova.”

Era mais que uma constatação. Era um elo, uma linha invisível que ligava gerações de juristas.
Que siga em paz, Mestre Paulo. Sua obra permanece, e seu exemplo seguirá formando corações e mentes.

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