Ano 13 – vol. 09 – n. 83/2025
https://doi.org/10.5281/zenodo.17131106
Era setembro, mês que oficialmente anuncia a primavera, mas que, na cidade de clima tropical, sempre se dividiu entre o rigor das chuvas e o calor escaldante do verão. Foi nesse cenário que um jovem de apenas 19 anos, recém-casado, mas ainda sob o teto dos pais, iniciou sua trajetória na Universidade Federal do Maranhão.
Ainda sem concluir o segundo grau e em preparação para o vestibular, encontrou na oportunidade de trabalho o que se poderia chamar de primeira grande conquista. Admitido como assistente administrativo substituto, sob a matrícula nº 1898, com salário de CR$ 1.492,00 – a moeda da época -, não apenas assumia um cargo: ingressava em uma instituição que viria a se tornar parte indissociável de sua vida. Era o ano de 1976.
Dez anos transcorreram. O jovem servidor transformara-se em professor. A instituição que o acolhera como funcionário administrativo agora o reconhecia como professor de Direito, abrindo as portas de uma vocação que desde cedo se desenhava. A sala de aula, outrora espaço de passagem, tornava-se o palco de sua missão.
Chegou novamente setembro, o mesmo dia 16, e com ele a consciência do tempo vivido. São 49 anos de vínculo ininterrupto com a UFMA, que se consolidam, em novembro próximo, com 39 anos de magistério, já como professor titular de Direito Constitucional.
Entre erros e acertos, lições aprendidas e ensinadas, nomes e rostos que a memória carrega, a jornada não se resume a datas ou cargos. Mais do que uma profissão, o que se construiu foi um verdadeiro laço de amor à docência e à instituição. A UFMA não foi apenas local de trabalho: tornou-se lar, escola, arena e destino.
A história daquele jovem — que o tempo revelou ser o próprio narrador — é testemunho de que memórias, quando partilhadas, tornam-se exemplos.
Hoje, com o tempo passado e os cabelos embranquecidos, a juventude reside na determinação de transmitir conhecimentos até quando valer a pena, até quando puder caminhar, até quando houver utopia.
Por isso, ao revisitar esta trajetória, não resta senão a gratidão.
Obrigado, UFMA, minha eterna casa. Porque, como afirma o brasão que nos inspira, “A Vida é Combate”.