Ano 13 – vol. 10 – n. 90/2025
https://doi.org/10.5281/zenodo.17252385
Falso e verdadeiro. Eis a questão.
Não se deve fazer do Direito nem na Política (aquela vista em
dimensão gradual elevada) uma via de linguagem binária.
O binário serve à linguagem quântica, à informática e a tudo o quanto seja produto de uma comparação célere mas limitada.
Melhor explicando: a linguagem binária é um juízo de comparação entre 0 (zero) e 1 (um), que torna o computador escravo da análise de todos os elementos de um conjunto representado pelos numerais de 1 a 100, por exemplo. Para identificar o 8º. (oitavo) numeral demanda a análise comparativa de todos os numerais do conjunto – de 1 a 100.
O homem, entretanto, não necessita da mesma operação. Para identificar o 8º (oitavo) numeral simplesmente fala: 8 (oito). Por isso é que o cérebro, condutor da razão e produtor da linguagem plural é superior.
Melhor explicando: a linguagem binária é um juízo de comparação entre 0 (zero) e 1 (um), que torna o computador ágil em cálculos, mas sempre escravo dessa operação binária. A menos que a revolução da Inteligência Artificial nos demonstre que superou esse patamar.
Mas é preciso ter cuidado. Inteligente é o homem, capaz de produzir o que a máquina absorve. O homem sempre será o criador desta percepção que poderá ser utilizada para o bem como para o mal – e mau também.
Como alerta Manoel Gonçalves Ferreira Filho em sua lapidar lição sobre interpretação é na boa fé do intérprete onde reside a condição (e eu diria, revelação) do caráter de cada um, como virtudes, máculas, potências, insuficiências etc.
O SER sincero não é apenas ser sincero. Dele emana crença por uma trajetória, quando consegue transmitir autenticidade sem pendências para convencer terceiros. Não se basta por si porque ninguém é bastante. Mas não demanda do amargor (e com amargura) transparecer a pétala da rosa quando pretende ferir como o espinho.
No Direito a estrutura lógica de uma norma sempre (e o advérbio aqui é categórico) será a mesma. Mas já no plano de sua concretude não se pode ter como certo ou errado (e também suficiente) a sua aplicação eficaz.
Na política, como deteriorada pela falta de sinceridade e propósitos, torna-se falso o verdadeiro com a naturalidade de quem compulsivamente mente desesperadamente. E assim, a Política, como arte, vira desastre difundindo vieses com rancor e amargura.
Estamos vivendo esta realidade num ambiente que poderia ser tudo, pelo vigor que deve ser a fonte de uma Academia. Por isso, sejamos mais essência, menos ocorrência, “pluriversais” e não binários.
É no pluralismo político que se fundamenta a República como prevê a CRFB. Isto não se traduz em partidos políticos e muito menos em querelas pessoais circunstanciais ou perpétuas. As feridas demandam tratamento, mas a recuperação exige resiliência.
Entre adversos também podem ser compostos versos. Mas que a linguagem não seja subterfúgio e amparo de seladas arrogâncias ou desesperadas lembranças, afinal, o homem precisa ser mais virtude do que vício.