Vol. 13 – N. 37 – outubro 2025
https://doi.org/10.5281/zenodo.17317162
Desamar é desarmar o peito para que não pulse o coração pelo amor partido que já foi repartido.
Já que “desamor não tem a impetuosidade dos sentimentos fortes”, como, com autoridade de escritora afirma a autora, julgo que ele apareça como uma luz. Ou como ela mesma fala: “do fastio, da desilusão, da rotina…”.
Foi assim que inferi a declaração de uma das mais brilhantes penas da literatura maranhense contemporânea, elevada ao patamar nacional pela observação pertinente do confrade Daniel Blume – ao considera-la, depois de Lya Luft, a maior contista do Brasil – em memorável noite de múltiplos lançamentos de livros de uma mesma autora: a confreira Ceres Costa Fernandes.
Não sou retratista, novelista, colunista social e muito menos jornalista para narrar com brilho o momento literário histórico singular que vivemos. Mas como observador e aprendiz muito aprendi durante toda a noite com intelectuais como Benedito Buzar, Lino Raposo e Natalino Salgado, com quem mantive um diálogo formidável e frutífero.
Mas do palco também me vieram ensinamentos pelas declarações da autora e dos interlocutores talentosos que são os confrades Alexandre Lago e Daniel Blume.
A mim não compete tecer críticas literárias, mas o desamor como mote me inspirou desde logo a refletir sobre desamores que se fazem necessários. Uns doloridos, outros de alívio, outros sinais de prudência, e assim a vida se constrói entre amores e desamores. – ou amares e desamares.
Ama-se com contemplação também e, por isso, embora se tenha falado em desamor em crônicas, como mote para convidar a todos que sobre o tema façam reflexões, foi de amor que se construiu a noite em que a curiosa criança amadurecida confessou a todos sua imersão na paisagem de um quadro da casa de seus pais, para descobrir os destinos e aguçar ainda mais a curiosidade por saber para onde as pessoas caminham.
Nascia ali a “Chica Dinamite”? Creio que sim – poucos ouviram a revelação pessoalmente.
Se a menina tinha a imaginação fluída ao contemplar um quadro retratando uma paisagem, a escritora – a quem há tempos admiro – revelou sem querer (não poderia supor) a resposta que eu buscava em uma atividade que me impus como exercício acadêmico.
Olhando do espigão da península – eliminaram a Ponta D’areia – no horizonte distante vê-se um barquinho. Estaria ele partindo ou chegando? A conclusão sempre me trazia como resposta que se parte, deixa saudades; se chega, traz alegrias.
A partir de ontem tudo mudou, depois de assistir à manifestação da confreira Ceres. Eu passei a compreender que o barquinho pode estar levando desamor. Não ousaria duvidar disso.
Há seres e há Ceres. Ou seria “Chica Dinamite”?
Bela festa. Belas obras. Bela noite.
Parabéns, Ceres.